O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 28/05/2021
Na sociedade pré-moderna, venerava-se muito pessoas que detinham posses de terra e títulos na nobreza, como no sistema feudal. Contudo, o surgimento do capitalismo levou a pessoas a darem mais valor a forma corporal e a estética, o que, por sua vez, propiciou o surgimento da indústria da moda e a imposição de novos padrões estéticos ao corpo social. Por conseguinte, é claro o cenário de que o mundo tenta, a qualquer custo, se encaixar nos novos padrões de beleza e deixa explícito como isso impacta o convívio social, trazendo à tona questões como desigualdades, por exemplo.
Em primeiro lugar, é relevante reconhecer as formas usadas pelos veículos midiáticos que são usados na construção de um ideal padrão a ser seguido por todos. É evidente, principalmente nas mais conhecidas revistas de moda, que as fotografias tragam consigo a formulação de como as pessoas devem se basear. Por exemplo, a predominância de um corpo magro, os cabelos lisos, a delicadeza nos traços do rosto e que, geralmente, são expressas por pessoas brancas. Ademais, adentra-se em outro ponto, a questão racial, que é muito desprezada nesse contexto, haja vista que a moda ainda se baseia nos princípios europeus, em que o destaque é dado, em geral, a etnia majoritariamente branca, levantando a questão da desigualdade racial. Esse culto ao corpo evidencia ainda mais a disparidade existente na sociedade quanto as pessoas que não se encaixam nesse perfil.
Além disso, tem se mostrado cada vez mais crescente o número de pessoas que buscam por melhoras estéticas. Na medicina, o campo da cirurgia plástica é uma das que mais crescem nos últimos anos. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), cresceu mais de 140%, em dez anos, a busca por procedimentos estéticos, principalmente entre a população jovem. Muitos deles afirmam que ainda não se sentem encaixados numa padronização de beleza feminina ou masculina, o que os preocupa. Assim, é notória a preocupação que urge para com os jovens, já que a angústia quanto ao corpo, entre eles, expõem-se cada vez mais frequente.
Diante do exposto, infere-se, portanto, que, o pensamento que leva as pessoas ao culto de um padrão corporal está se tornando mais perceptível na população brasileira. Nessa conjuntura, é essencial que o Ministério da Saúde proponha uma forma de alertar os perigos existentes quanto aos riscos de mudanças estéticas, por meio de propagandas que passem pela televisão. Tal ação, pode, ainda, contar com campanhas dentro de escolas para conscientizar os jovens quanto à aceitação do corpo da forma que ele é. Além disso, tais campanhas podem dispor do auxílio de profissionais da saúde mental, como terapeutas e psicólogos. Tudo isso, com o intuito de propor uma reflexão dos brasileiros quanto as diferenças, descartando o aumento de desigualdades na nação brasileira.