O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/05/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista e acredita em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com o culto à padronização corporal torna o país cada vez mais distante do imaginado pela personagem. Nesse âmbito, seja pela influência midiática, seja pela negligência social, o problema exige uma reflexão urgente.

É necessário destacar, a priori, que a atuação dos meios midiáticos corrobora de forma intensiva o entrave. Nesse viés, de acordo com Winston Churchill , ao afirmar que “não existe opinião pública, existe opinião publicada”, ratifica como a mídia e a publicidade, erroneamente, são utilizadas para estimular a busca pelo corpo perfeito. Desse modo, esse meio de divulgação funciona como mecanismo de coerção, sobretudo dos jovens, os quais são cativados à se moldarem de acordo com padrões de beleza impostos pela sociedade, principalmente, pelos influenciadores digitais nas redes sociais, como Instagram e Facebook. Assim, esses indivíduos perdem a autonomia do pensamento e baseiam-se em opiniões alheias.

Ademais, é imperativo pontuar que a idealização de Quaresma distancia-se ainda mais da realidade brasileira, visto que o desmazelo social é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Isso porque o termo cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam um pleno conhecimento da realidade na qual estão inseridos, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Sob tal ótica, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra “Ensaio sobre Cegueira”, caracteriza a alienação da sociedade às demais realidades sociais. Desse modo, tal entrave advém da exigência dos cidadãos em estipular que determinada estética corporal é a melhor e, por esse motivo, todos indivíduos devem sempre almejar esse padrão para ter um corpo considerado bonito. Logo, é essencial a intervenção do brasileiro na comunidade em que vive e sua contribuição, sobretudo, para a estimulação de uma nação “mais humana”.

Diante disso, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao MEC (Ministério da Educação) orientar os alunos sobre a autonomia de reconhecer e admirar o próprio corpo, por meio de palestras e debates nas escolas – que têm como função social formar alunos reflexivos e conhecedores dos seus direitos e deveres - a fim de reduzir os estereótipos da perfeição corporal e aprimorar o aprendizado quanto ao assunto, com isso, os estudantes podem reconhecer que todos os indivíduos são únicos e peculiares. Dessa forma, notar-se-á uma melhora no cenário nacional e maior aproximação do ideário de Policarpo Quaresma.