O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 29/05/2021

O estigma do corpo perfeito está enraizado na sociedade, definindo através do padrão de comparação consagrado como modelo ideal, que seria cabelos lisos, pele clara, corpo definido e dentes brilhantes, o molde de como a humanidade deve se parecer para atingir o impecável. Contudo, a pressão estética cobrada pelas mídias e internautas afeta a vida da população, uma vez que a perfeição é inalcançável, fazendo dessa luta algo fútil e sem resultado, deixando os nós à mercê de procedimentos estéticos inúmeros, transtornos alimentares e elevado grau de depressão .

O culto à padronização também se faz presente no universo cinematográfico, como visto na série da Netflix “Insaciável”, que relata a história de Patty, uma menina acima do peso que sofreu bullying apenas por não se encaixar entre as outras adolescentes, entretanto, ao ser agredida, a mesma decidiu emagrecer, ingressando em um transtorno alimentar, denominado bulimia, em que uma pessoa vem e faz de tudo para expelir do corpo o alimento, com o vômito induzido, laxantes e outros. Consoante ao destaque, torna-se evidente que o pregado ao público adolescente não condiz com informações benéficas à saúde, levando os jovens a quadros de níveis elevados. De acordo com a revista Veja, 77% dos jovens têm propensão a distúrbios alimentares, provando uma questão irrefutável de que a busca pela aceitação pública se tornada algo prejudicial ao bem-estar humano.

Ademais, a cobrança pela aparência ideal possui uma relação com a depressão, desenvolvendo uma baixa autoestima, podendo acarretar em problemas mais graves, como o suicídio. Exemplificando a ligação discutida, vale ressaltar o caso da garota irlandesa de 11 anos que se suicidou, escrevendo em seu corpo uma frase “garotas bonitas não conteúdo”, evidenciando o perigo e desleixo da sociedade, pois a mesma cobra algo inacessível para crianças e adolescentes, fazendo-os pensar que o problema são eles. Além disso, uma imposição de um padrão estético visto pelo lado científico se torna algo banal, já que cada ser humano possui uma sequência de códons diferentes, e essa, por sua vez, define o fenótipo do indivíduo, tornando impossível a igualdade e padronização da população, visto que seria necessário uma manipulação genética para que ocorra de fato o esteriótipo perfeito ou várias cirurgias.

Em virtude do exposto, uma intervenção do Ministério da Saúde se faz necessária, desenvolvendo campanhas nas mídias sociais, expondo a importância de uma boa alimentação e quais são as consequências da displicência com a alimentação. Também é necessário que haja uma inserção nas escolas, por decreto governamental, de educadores emocionais, que serão responsáveis por auxiliar os alunos no âmbito emocional, ensinando as diferenças do corpo humano e mostrando a importância de aceitar e respeitar cada um do jeito que é, criando indivíduos propensos a um melhor bem-estar geral.