O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/05/2021
Atualmente, as mídias digitais são criadoras do padrão ideal que um corpo deve seguir. Entretanto, a imagem vendida do ideal é inalcançável para a grande maioria das pessoas. Logo, mostra-se relevante analisar o culto à padronização corporal no Brasil, uma vez que a pressão para alcançar o corpo “perfeito” é o agente responsável por ocasionar diversos transtornos alimentares (anorexia, bulimia e vigorexia) e distúrbios mentais relacionados à autoimagem, configurando as maiores problemáticas desse pernicioso cenário.
De início, é notório destacar os elevados índices de transtornos alimentares em jovens no país. Isso porque, com a intenção de entrar no padrão corporal, muitos deles recorrem a dietas irregulares para sua idade, gênero e tamanho. Prova disso recai nos dados apresentados pela a Organização Mundial da Saúde (OMS) no qual 10% dos adolescentes brasileiros são apontados como alvos de transtornos alimentícios.
Ademais, cabe ressaltar o perigo dos distúrbios mentais relacionados à autoimagem. Isso dado que, como representado no clipe musical da Melanie Martinez “Orange Juice”, algumas pessoas tendem a enxergar a própria imagem diferente do que ela é realmente devido a uma doença chamada transtorno dismórfico corporal (TDC). Sendo assim, torna-se urgente reconhecer que esse processo resultou hoje também em um risco para saúde visto que de acordo com a ISAPS – Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, 2018, o Brasil registrou mais de 1 milhão de cirurgias plásticas e 969 mil procedimentos estéticos.
Portanto, com o objetivo de alterar o quadro do culto à padronização corporal no Brasil, é dever Ministério da Educação incluir na grade curricular dos alunos pautas sobre respeito as diferenças e aceitação pessoal por meio de palestras e rodas de conversas. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde conscientizar as pessoas sobre os riscos de cirurgias/procedimentos estéticos e a importância de procurar por ajuda quando algum transtorno aparentar os primeiros sinais por meio de campanhas e propagandas.