O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 29/05/2021
Escrita por Émile Durkhein, a Teoria do Fato Social ilustra como a fuga do indivíduo das regras impostas pela sociedade pode acarretar retaliações por parte da mesma. Atualmente, o culto ao corpo perfeito e padronizado tem se mostrado como um problema que atinge mulheres — e até mesmo homens — de todas as idades no Brasil, criando nessas pessoas, sentimentos de insatisfação consigo mesmas e resultando em consequências perante a sociedade, a qual reprova aqueles que não acatam a tipologia física estabelecida como ideal, além do aparecimento de diversos distúrbios psicofisiológicos.
É importante ressaltarmos que a atenção e fama dada aos profissionais da moda, denominados modelos, faz com que mulheres de diversas faixas etárias sintam-se diminuídas perante um determinado padrão físico e pressionadas a alcançar este ideal. Este fenômeno tem como resultado a penalização social dos indivíduos que vão contra tal padrão, que muitas vezes são marginalizados e sofrem o chamado Body Shaming, termo muito popular para ataques e ofensas disseminados principalmente por meio das redes sociais àqueles que não tem um corpo padronizado.
Ademais, cresce o número de casos de doenças relacionadas a distúrbios psicofisiológicos relacionados à alimentação. Em busca do ideal do corpo perfeito, é recorrente o surgimento de patologias como bulimia, anorexia, dentre outras, que, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, atingem majoritariamente mulheres (cerca de 90% de todos os casos registrados). Tais distúrbios podem levar o indivíduo a quadros graves de desnutrição e, eventualmente, até a morte. Há casos ainda onde há submissão a processos cirúrgicos que podem propiciar sérios problemas de saúde, como o caso da ex-modelo Andressa Urach, que injetou hidrogel nas coxas e foi submetida a drenagens cirúrgicas após desencadear uma infecção causada pelo produto.
Diante dos fatos apresentados, torna-se evidente que a padronização corporal acarreta diversos problemas sociais. Logo, cabe ao governo, na figura de Ministério da educação, realizar parcerias com as escolas de todo o país na elaboração de projetos que levem palestras e debates educativos até elas, com intuito de desconstruir esses padrões de beleza imposto. Ademais, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONARD) deve regular propagandas que incitem a adoção de padrões de beleza com mais rigidez. Outra medida importante é que psicólogos, em conjunto com ONGs, se mobilizem para ajudar aqueles que sofrem distúrbios causados por tais ideais, por intermédio da criação de anúncios em redes sociais que influenciem as pessoas a buscarem ajuda de um profissional capacitado. Apenas assim, será possível mitigar a busca desmedida pela perfeição corporal.