O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 24/05/2021

A partir da Terceira Revolução Industrial (Revolução Tecnológica), no século XX, que aumentou o desenvolvimento da tecnologia e intensificou o uso de redes sociais. Fato que gerou o aumento de preocupação do grupo social com a estética e imagem física. Na atualidade, passou a ser mais frequente o ato de pessoas, principalmente os jovens, compararem seus corpos com os de outros seres individuais, provocando o início de hábitos e costumes fora do contexto benéfico do organismo. E, por meio dessa realidade, são percebidos diversos efeitos negativos que influenciam tanto na vida pessoal do ser humano, quanto em seu convívio na sociedade.

Em primeiro plano, é necessário debater que a população mudou seu comportamento estrutural devido a comparação feita com modelos de padrão propostos como correto pelos indivíduos inseridos dentro da sociedade. Mediante a essa ideia, o público em que mais se preocupa com a aparência e beleza física são os jovens e adolescentes, fato que se comprova por meio da pesquisa realizada pelo Ambulatório de Ginecologia do Adolescente do Hospital das Clínicas (HC), a qual mostra que 67% dos jovens entrevistados não gostam do corpo e 37% sentem vergonha do físico. Desse modo, são tomadas decisões que geram impactos na constituição física e mental dessas pessoas que optam por tais costumes e condutas.

Somado a isso, vale discutir que o culto a padronização resulta em uma grande quantidade de impasses para a população. Além de aumentar os problemas de saúde, uma vez que as pessoas passam a desfrutar de medidas como a má alimentação e a preferência por cirurgias plásticas com o intuito de conseguirem o corpo perfeito, visto que de acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, é revelado uma estimativa de cerca de 130 mil crianças e adolescentes submeteram-se, no ano de 2009, ao ato de operações plásticas no Brasil. Essa não aceitação da estética e beleza física natural fazem com que os indivíduos passem a possuir vergonha de si próprio, se tornando menos sociáveis ​​e comunicativos com o grupo social.

Portanto, é primordial diminuir a quantidade de pessoas que tomam decisões para obterem o corpo perfeito. Por isso, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Saúde, promover aulas educativas - para turmas desde o Ensino Fundamental até o Ensino Médio, juntamente com profissionais da saúde - que incentivem o pensamento de que é necessário cuidar do corpo, mas tendo consciência da importância de uma boa alimentação e de ter cuidado com o limite que o organismo consegue suportar. Desse modo, os jovens e adolescentes entenderão a relevância de cuidar da saúde, e que a estética é apenas uma consequência.