O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 31/05/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante o nacionalismo ufanista, acreditando em um país utópico. Estilisticamente, fora dessa perspectiva a imposição de padrões estéticos torna o Brasil ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Entretanto, seja pelo sensacionalismo das mídias, causada pela negligência governamental, seja pela sociedade capitalista, a problemática persiste silenciosamente, afetando grande parte da população.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que o principal entrave da cobrança em relação aos padrões de beleza e a influência das mídias. Dessa forma, infelizmente estereotipam os indivíduos, criando um conceito único de beleza. Assim, pela negligência do Estado em permitir a divulgação de padrões estéticos passados por meio da comunicação social, o retrato da sociedade é marcado pela insatisfação dos brasileiros.

Em segunda análise, há também o forte impacto do capitalismo. Dessa maneira, lamentavelmente faz com que as pessoas busquem a perfeição por meio material ou até mesmo através de cirurgias plásticas. Por consequência, o Brasil está entre os primeiros países com maior número de cirurgias plásticas entre jovens e adolescentes. Contudo, o conflito mantém-se, tomando uma proporção maior a cada dia e deixando evidente o cenário preocupante.

Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para que influência das mídias e o capitalismo deixem de ser os estigmas da imposição dos padrões de beleza. Logo, é papel do Governo Federal disseminar, pelas comunicações sociais, a ideia de que cada corpo é único. Além de criar campanhas publicitárias para orientação dos riscos e malefícios que as cirurgias plásticas oferecem. Somente desse modo, a mazela será um programa passado na história do Brasil e o país terá cidadãos conscientes e conformados dando mais um passo em busca da utopia idealizada por Policarpo.