O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 27/05/2021

O livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas sociais que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que os almejos pelos estabelecimentos de padronizações corporais no Brasil afeta grande parte da população. Assim, seja pela busca incansável pela perfeição, seja pela influência das mídias sociais, o problema exige uma reflexão urgente.

Em primeira análise, é importante ressaltar que impacto dos aspectos socioculturais corrobora de forma intensiva para o entrave. Nessa lógica, pode-se citar o sociólogo francês, Émile Durkheim, que afirma que o homem, mais do que um formador da sociedade, é um produto dela. De fato, a ação do indivíduo referente à busca pelo padrão de um corpo perfeito resulta de um pensamento coletivo errôneo, visto que principalmente as mulheres são alvos de cobranças para o alcance da perfeição. Assim, urge que uma base sociocultural seja revista para que o comportamento do indivíduo contemporâneo mude.

Somado a isso, é possível reconhecer que a internet e a tecnologiam atuam como facilitadoras, circulando informações e servindo como “âncora” para comunicações e relações pessoais. Nesse âmbito, apesar de ser de extrema importância para o avanço do mundo, esses recursos se tornam problema a partir do momento em que a própria sociedade publica e mostra em suas redes sociais apenas aquilo é que bom e considerado “perfeito”, utilizando photoshop em postagem para uma melhor aparência e demonstrando ter uma vida, que na maioria das vezes não a pertence. Por isso, é inaceitável que essa situação se perpetue no mundo contemporâneo.

Depreende-se, portanto, que são necessárias medidas capazes de mitigar o problema. Para tanto, é imperiosa uma ação das escolas, que deve por meio de projetos e discursos, promover palestras aos alunos e responsáveis, bem como campanhas na internet e nas ruas, que abordem a importância da aceitação pessoal, descontruindo padrões criados, a fim de proporcionar o entendimento das diversidades corporais e erradicar as cobranças para o alcance de algo dito como “perfeito”.