O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 27/05/2021

Segundo o filósofo Karl Marx, o pensamento prevalecente em uma sociedade é comumente imposto pela classe dominante. É deduzível que, os grupos mais prejudicados sejam os menos favorecidos financeiramente, pois os padrões de beleza idealizados pela elite, não são de fácil acesso às classes menos privilegiadas.

A imagem corporal exerce papel mediador em todas as coisas, desde a escolha de vestimentas, passando por preferências estéticas, até a habilidade de simpatizar com as emoções dos outros. Um estudo, inquérito epidemiológico, em 1.183 alunos, com faixa etária de 6 a 18 anos, em escolas públicas e particulares de Belo Horizonte, Minas Gerais, mostrou que a maioria dos alunos (62,6%) estava insatisfeita com seu corpo. Muitas das vezes, alunos faltam à escola ou desistem por sofrerem bullying por causa de sua aparência que não é “bonita” aos padrões adotados por grande parte da sociedade.

No caso do culto ao corpo, “Body-Building” ou “Bodybuilder” são os termos utilizados em academias para designar aqueles que procuram “construir” seu corpo. O Distúrbio Dismórfico Corporal, insere-se na classificação do DSM-IV (sistema diagnóstico e estatístico de classificação dos transtornos mentais) no grupo das desordens somatoformes e é caracterizada com a preocupação com um defeito imaginário na aparência física, acarretando prejuízos afetivos e sociais na vida da pessoa. É importante lembrar que, pela opinião de algumas pessoas, o que tem de mais lindo é a pessoa estar satisfeita com seu corpo.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar essa adversidade. O Ministério da Educação, aliado às escolas da rede pública e privada, deverá realizar palestras educativas, ministradas por professores e educadores, que abordem o tema. O Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (CONAR) deverá regular propagandas que incitem a adoção de padrões estéticos com maior rigidez, favorecendo a diversidade de aparências.