O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 26/05/2021

“No mundo atual está se investindo cinco vezes mais em remédios pra virilidade masculina e silicone para as mulheres do que na cura do mal de Alzheimer”. A fala do médico cancerologista Drauzio Varella, exprime de forma sucinta a realidade da sociedade contemporânea brasileira, que se encontra em um cenário no qual a busca desenfreada pelo corpo padrão pode levar a medidas extremas. Diante desse contexto, a constante procura por cirurgias plásticas e o desenvolvimento de transtornos alimentares se tornam cada vez mais comuns.

Em primeiro plano, vale ressaltar a tamanha influência das redes sociais na problemática em questão. Ao navegar pela internet, não é muito difícil encontrar os chamados “influenciadores digitais” divulgando suas experiências com implantes de silicone, rinoplastia, lipoaspiração, dentre outros procedimentos estéticos. Com isso, a demasiada propaganda dessas operações e o equivocado pensamento de um corpo ideal imposto pela sociedade, leva as pessoas a se renderem frequentemente aos bisturis. Tal afirmação é confirmada por uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, na qual revela que foram realizados quase 1,5 milhão de procedimentos estéticos em 2016. Logo, a normalização dessas intervenções é um impasse para o fim do ideal de beleza exaltado pelas mídias, visto que, não é possível acabar com os padrões sem a autoceitação.

Ademais, o culto ao corpo perfeito  pode se tornar ainda mais desmoderado e preocupante, vindo a afetar diretamente o bem-estar do indivíduo. Isso porque há uma obsessiva luta para se encaixar no conceito de belo, e quando ele não é alcançado, surge a frustação e as consequências desta, que por sua vez,  se refletem na saúde mental e na alimentação dessas vítimas, dando lugar aos transtornos alimentares. Semelhante a isso, é a representação no filme " O suficiente para viver", no qual a protagonista Ellen, sofre com os efeitos que a anorexia tem em sua saúde, na estrutura de sua família e no seu desenvolviemento pessoal. Torna-se evidente portanto, a seriedade do tema em discussão e o seu grave impacto na qualidade de vida dessa coletividade.

Diante os fatos expostos, é necessário que sejam tomadas as medidas cabíveis. Nesse sentido, é de responsabilidade das escolas juntamente com os orgãos públicos e a mídia, instruir a população sobre a importância da autoaceitação, seja por meio de palestras, debates ou té mesmo campanhas na internet, com o intuito de promover a beleza nas suas mais variadas formas, cores e tamanhos, para que assim, os esteriótipos sejam finalmente deixados no passado e as pessoas passem a enxergar o que há de mais belo em sí mesmos.