O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 31/05/2021
No começo do ano de 2021, a digital influencer Khloe Kardashian teve uma de suas fotos sem edição acidentalmente publicadas no Instagram, abrindo pauta para a discussão a cerca dos padrões de beleza impostos na sociedade, sobretudo para as mulheres. Apesar de ter início ainda na idade antiga, a pressão estética ainda é, sobretudo nos dias atuais, fortemente praticada. Isso se deve ao forte apelo midiático e aos enormes lucros anuais da indústria de beleza.
A filósofa Maria de Lourdes Borges cita que a busca pela beleza é universal e esteve presente em todas as civilizações, já que essa, por sua vez, está diretamente associada com a aceitação do indivíduo na sociedae. Essa constante busca torna as pessoas mais vulneráveis aos estímulos irreais projetados pelos canais mídia nos dias atuais, uma vez que esses tem grande influência na construção de pensamento de seus usuários.
A indústria dos cosméticos e procedimentos estéticos também contribui para a repressão dos atributos naturais da população, reforçando cada vez mais objetivos de beleza impossíveis de serem atingidos. Segundo uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o Brasil é o terceiro país com o maior mercado de estética do mundo. Em suma, a industria lucra em cima da insatisfação das pessoas com sua prórpia imagem.
O problema é que a busca pelo corpo perfeito pode gerar consequências sérias e contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares e psicológicos, como anorexia, bulimia, ansiedade e depressão. Os riscos são ainda maiores para o público feminino, que as mulheres são constante alvo da idealização de beleza. A pesquisa “Há uma beleza nada Convencional” da Dove revela que 83% das mulheres se sentem pressionadas a atingir definições estéticas. A fala do autor Vinícius de Morais “as feias que me desculpem, mas a beleza é fundamental”, exemplifica de maneira simples e cruel que há uma maior cobrança para que as mulheres alcancem os padrões desejados, acima de tudo para que haja a aprovação masculina.
Tendo em vista os efeitos negativos causados pelo culto a padronização corporal, é necessário que o Ministério da Cultura promova campanhas de consciêntização nas redes socias e em escolas primárias e secundárias, que mostrem de maneira abrangente diversos tipos de pessoas, incentivando a aceitação da sociedade aos diversos tipos de beleza existentes, afim de que se evite o definhamento da saúde e integridade física e mental da população, sobretudo das mulheres brasileiras.