O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 28/05/2021
Entende-se padrão, como algo aprovado pela maioria, uma base para comparação, um modelo, um protótipo, logo pode-se compreender um padrão corporal como, um corpo ideal, único, desejado por todos e até mesmo um “corpo perfeito”. Entretanto, esse padrão é quase inalcançável ou impossível por se tratar de pessoas reais, podendo resultar em frustrações por não alcançarem o padrão imposto pela sociedade contemporânea, em que muitas pessoas colocam sua saúde em risco para enquadrar-se nessa perfeição absurda e excessiva.
A priore, verifica-se que esse modelo corporal é bem diferente do natural, pois o corpo humano é multidimensional e é composto por diversos biotipos que não são respeitados por essa padronização corporal. Ao tentar se assimilar ao máximo nesse padrão diversas mulheres e homens se submetem a procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos como: lipoaspiração, enxerto de gordura, silicone, harmonização facial, drenagem linfática, preenchimento, bichectomia e outros, que podem colocar a vida e a saúde em risco.
Ademais, os procedimentos estéticos não são as únicas iniciativas que ferem o bem-estar e prejudicam a qualidade de vida dos indivíduos. Algumas pessoas fazem dietas “milagrosas” que em muitos casos podem ter como consequência disturbios alimentares como a bulimia e a anorexia, que em casos graves são capazes de causar depressão e até mesmo à morte, além de prejuizos ao convivio social, porque a pessoa se priva de ir a eventos ou locais para se alimentar. Atrelado a isso, convém lembrar o caso de uma menina irlandesa de 11 anos que se suicidou por julgar não possuir o corpo ideal. Corpo esse que a menina não via em revistas, propagandas, desfiles e nas redes sociais, ela foi encontrada por seus pais e possuia em seu corpo a frase: “meninas bonitas não comem”, fazendo relação aos disturbios alimentares.
Portanto, em virtude dos fatos mencionados, vê-se a necessidade de maior preocupação por parte da sociedade e de influenciadores digitais ao publicar conteúdos nas redes sociais sobre emagrecimento, alteração do formato natural do corpo e ao fazer comentários sobre outras pessoas, pois as mesmas não sabem a realidade uma das outras. Outrossim, a mídia junto à empresas, deve conscientizar a população verde-amarela sobre os diversos tipos de corpos e sua beleza tanto por campanhas televisionadas quanto em revistas, propagandas e desfiles para que assim casos como o da menina irlandesa se torne cada vez mais raro.