O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 25/05/2021
Produzido pela Netflix em 2017, o filme “O mínimo para viver”, conta a história da jovem Ellen e sua luta contra transtornos alimentares. Nesse sentido, através de um centro de reabilitação, a narrativa revela a grande quantidade de pessoas que desenvolvem problemas psicológicos em função da vontade de se encaixar num padrão corporal. Fora da ficção, fica claro que esta realidade é presente no Brasil atual, uma vez que: A representação midiática impõe um certo padrão como o belo e faz com que a sociedade em massa crie problemas com o próprio corpo, almejando cirurgias plásticas para se encaixar num padrão.
É importante ressaltar, primeiramente, que no território brasileiro existem pessoas com diferentes biotipos físicos, porém, um único padrão de corpo, o magro e alto, é o predominante nas capas de revista e programas de televisão. Segundo uma pesquisa feita pela marca Dove em 2019, foi possível concluir que 70% das mulheres não se sentem representadas na mídia e publicidade. Assim, fica evidente que a estética transmitida ao público está desvinculada da realidade e causa nas pessoas o sentimento de desconforto ou até mesmo problemas psicológicos quando estas começam a se comparar aos corpos feitos de modelo. Com essa frequência do “corpo perfeito” estampado na mídia, o atendimento de beleza se limita e acaba anulando o belo dos demais biotipos físicos.
Atrelada a esta ideia, fez-se preocupante o elevado número de pessoas que atualmente buscam por mudar seu corpo a fim de alcançar a “perfeição”. Assim, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Estética (SBCP), só no ano de 2019, cerca de 1 milhão de brasileiros fizeram cirurgias plásticas, além de 969 mil pessoas com procedimentos estéticos não cirúrgicos. Depreende-se então, que o elevado culto a um padrão irreal faz com que a população corra riscos desnecessários em cirurgias e desenvolva sempre uma relação de insatisfação, como a de Ellen, pois existe sempre uma falta de autoestima diante da comparação com o irreal.
Observa-se, portanto, que o culto a um padrão único de beleza trás malefícios a sociedade. Assim, propostas são necessárias a fim de demonstrar o belo nos diferentes biotipos físicos brasileiros. Para que isso ocorra, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitaria deve promover mais representatividade, através da adesão de diferentes estéticas nas mídias de referência. Com o intuito, assim, da identificação da população dentro do conceito de beleza. Desta forma, a comparação com o irreal e a adesão de cirurgias plásticas de risco por pura estética será menor.