O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 25/05/2021
Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil e morreu frustrado ao ver que elas não aconteceram. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entrave, como o culto à padronização corporal, se faz presente no corpo brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar como os transtornos alimentares e a pressão estética sofrida pela busca de “corpo perfeito”, afeta a população.
Observa-se, em primeira instância, que os transtornos alimentares afetam diretamente a saúde mental e física das pessoas. Sob essa ótica, tal entrave se diverge de utopia do Brasil narrada por Barreto, na medida em que cerca de 10% dos jovens brasileiros sofrem de algum tipo de transtorno alimentar, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Ademais, em tempos de redes sociais, a cultura a magreza e a dietas, pode fazer com que pessoas desenvolvam problemas relacionados a saúde mental, como a ansiedade e depressão, que implicam diretamente com a saúde física da pessoa, seja por ela ficar sem comer, procurando tal “perfeição”, ou por comer em excesso, buscando distração de seus problemas.
Outrossim, vale ressaltar que existe uma constante pressão estética para estar nos “padrões” impostos pela sociedade. Nesse contexto, ganha voz a percepção do sociólogo Émile Durkheim, ao afirmar, na obra “Estudo do método sociológico”, que os instrumentos sociais obrigam os indivíduos a se adaptarem às regras da sociedade. Esse pensamento, em sua essência, revela como as pessoas sofrem para alcançar algo que não existe: o corpo perfeito, seja por meio de plásticas ou de dietas, tornando assim o Brasil o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, e essa insatisfação com o corpo possui relação com a baixa autoestima e associa-se a quadros depressivos, pois quanto mais uma pessoa se cobra para chegar a algo que nunca precisou, mais doente ela fica.
Portanto, tendo em vista os fatos supracitados, é notória a necessidade de que o Governo, junto ao Ministério da Saúde, por meio de campanhas, faça com que esse tema, transtornos alimentares, ganhe mais visibilidade e atenção, para que todos entendam o risco a saúde física e mental que tais problemas podem causar. Também se faz necessário de que o Governo, por meio de seu principal veículo de informações, a mídia, mostre como é irreal os padrões exibidos cada vez mais nas redes sociais, para ficar explícita a existência de outros corpos e que todos são normais e possuem sua beleza. Assim, implementadas essas ações, espera-se solucionar os desafios causados pela tentativa de padronização do corpo brasileiro, de modo a orgulhar Policarpo Quaresma.