O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/05/2021

O deslustre da perfeição nos é imposto todos os dias. Tanto em capas de revistas como em tutoriais na internet, onde homens e mulheres com corpos esmerados estampam o ideal de perfeição. No mundo real, esse padrão é quase impossível de ser atingido, o que resulta em uma sociedade frustrada por nunca alcançar o que lhe é imposto. Acabando com a autoestima e gerando até problemas maiores como depressão, ansiedade, dentre outros.

Além disso, os biotipos são totalmente desrespeitados por essa padronização, uma vez que o corpo humano é pluridimensional e possui uma estética única advinda de cada herança genética existente. Entre tantas misturas e formas, é cruel escolher apenas uma forma que seja legal e digna de representar a perfeição. No processo de busca sem escrúpulos por um modelo como esse, muitas pessoas até arriscam suas vidas para realizar cirurgias e dietas perigosas que colocam em risco sua saúde.

Outro ponto que não deve ser esquecido é que vivemos em um mundo capitalista no qual desejos e interesses são gerados em grande número. É mais fácil para a indústria de consumo padronizar os gostos porque isso promove o consumo descontrolado. Hoje, vozes contra esses padrões foram ouvidas. No entanto, a mídia ainda é muito poderosa em termos de representação social e, como poderosa aliada do sistema capitalista, ajuda a perpetuar esses estereótipos.

Portanto, é preciso refletir sobre as representações físicas que nos são impostas todos os dias. O primeiro passo deve ser dado pelo próprio indivíduo, ser mais flexível consigo mesmo e libertar-se dessa beleza limitada. Porém, após esse movimento, deve haver o apoio dos agentes sociais. As escolas precisam levantar essas questões e debates sobre o estigma físico, e a mídia deve assumir a responsabilidade dos formadores de opinião pública e promover uma reflexão mais aprofundada sobre o tema.