O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 27/05/2021
No filme “O Mínimo Para Viver”, dirigido por Martin Noxon, há uma enfatização da distorção da própria imagem corporal vista pela protagonista, pois a mesma se enxerga sempre acima do peso “ideal” e acaba por sofrer de sérios distúrbios alimentares. Entretanto, o filme aborda uma importante tematica a qual é vivida por muitos brasileiros, onde há uma busca constante para atingir o “corpo perfeito” que são impostos pelos padrões de beleza da sociedade, sem ao menos se importar com a saúde física e emocional. Dessa maneira, fica evidente que essa vicissitude social advém do culto à patronização corporal. Logo, tanto uma sociedade patriarcal e machista quanto influencias das mídias sociais agravam essa situação.
A priori, ao longo dos anos envolvendo a estética feminina surgiram e um padrão de exigência foi imposto, é definido como o ‘ideal’ devido a construção social dos papéis de gênero e a submissão da mulher ao patriarcado e ao machismo. No entanto, a beleza foi criada tanto para a objetificação do corpo feminino quanto para determinar os lugares sociais que serão ocupados pelas mulheres, onde as mais ‘belas’ são vistas como troféis para os homens e desde pequenas são ensinadas que beleza é fundamental para encontrar um marido e o agradá-lo. Assim, as necessidades masculinas são, muitas das vezes, consideradas mais importantes do que a autoimagem da mulher.
Em segundo plano, o corpo real é negado e apenas corpos magros são desejados e idealizados. Deste modo, as redes sociais - Instagram, por exemplo- carregam parte das influências à patronização do corpo, onde as publicidades apresentam apenas modelos magras, de pele impecável e sem manchas, gerando uma submissão à excesso de cirurgias e dietas restritivas. De acordo com o censo de 2016 feito pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o Brasil lidera o ranking de cirurgia plástica. Todavia criando um esteriótipo que resulta na disciplinarização dos corpos femininos.
Portanto, faz-se evidente que as cobranças pelo corpo ideal estão cada vez mais frequentes e as questões socioculturais tornam as cobranças cada vez mais elevadas. Deste modo, é necessário que o Ministério da Educação juntamente ao Ministério da Saúde, pensando no melhor para a sociedade e na nova geração que está se formando na atualidade, façam palestras e debates em escolas abordando temas sobre transtornos alimentares - como anorexia e bulimia -, garantindo aos adolescentes à ciência de que corpos reais são de diferentes formas e cores. Além disso, cabe ao Conselho Nacional de Autorregulação Pública (CONAR), que atue de forma mais rigorosa, afim de restringir campanhas publicitárias que tem por objetivo - diretamente ou indiretamente - promover a padronização dos corpos. De modo que, traga uma autoaceitação à todos sobre seus os corpos.