O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 29/05/2021
A música “Mrs. Potato Head” da cantora americana Melanie Martinez faz crítica à cultura das cirurgias plásticas, na qual um trecho diz para não ser dramático, pois são apenas algumas plásticas e ninguém irá amá-lo se não for atraente. Apesar de ser estrangeira, sua canção adequa-se a realidade brasileira em virtude da grande devoção ao corpo considerado perfeito, principalmente pelas mulheres. Por conseguinte, há uma intensa busca por mecanismos que prometem a obtenção desse objetivo, como por exemplo procedimentos estéticos, que por muitas vezes trazem consequências absurdas para a saúde do indivíduo.
Em primeiro lugar, cabe pontuar que há uma exorbitante influência da mídia no culto à padronização corporal, pois nas redes sociais, por exemplo, existem diversas manipulações de imagem que fazem os internautas acreditarem estar vendo o corpo ideal, malhado, sem nenhuma mancha, celulite, estria, entre outros aspectos considerados defeitos. Ademais, observa-se que influenciadores digitais promovem dietas e remédios com o propósito de emagrecimento que podem oferecer riscos à saúde. Por esses motivos, houve um aumento de 141% no número de procedimentos estéticos feitos por adolescentes entre 13 e 18 anos no Brasil (de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica).
Além disso, a televisão é uma das responsáveis por essa problemática, visto que comerciais e novelas representam, em geral, pessoas dentro do padrão de beleza, ou seja, brancos magros de cabelo liso. Sendo assim, conforme pesquisa realizada pela Dove, 83% das mulheres se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza. Logo, parte da sociedade que não se encaixa nessas características sente-se frustrada e, assim, surgem as consequências como transtornos alimentares. Por exemplo, a anorexia, doença caracterizada pela diminuição inadequada da alimentação juntamente com a distorção de imagem e, a bulimia, definida por episódios de compulsão alimentar seguidos por indução de vômito ou outras maneiras de perder peso.
Em suma, verifica-se que os meios midiáticos reforçam o culto à padronização corporal no Brasil, portanto é importante que atitudes sejam executadas. Nesse sentido, a rede aberta de programações televisivas deve, por meio de mensagens publicitárias, realizar campanhas a respeito dos perigos que acompanham os transtornos alimentares com a finalidade de alertar a população sobre o assunto e possibilitar a percepção de pessoas próximas a amigos ou familiares que apresentam indícios de doenças como anorexia ou bulimia. Outrossim, a representatividade de pessoas negras e gordas em todos os canais de comunicação é primordial para que a música de Melanie não esteja relacionada, também, com a sociedade brasileira.