O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/05/2021
Ao analisar o histórico social da humanidade, verifica-se que a ideia de padronização corporal não é uma temática contemporânea e marcou períodos históricos, como por exemplo o período renascentista, onde a venustidade era baseada no comprimento alongado da testa. Contudo, não recente, a devoção humana em se enquadrar nos padrões estéticos requisitados pelas mídias e pelo corpo social preocupa comunidades científicas devido aos diversos malefícios para a saúde humana, tanto física quanto emocional.
Estudos realizados pela Educa Cetrus, instituição de ensino médico, revelam que, entre 2014 e 2016, houve um aumento de 390% na proucura de procedimentos estéticos cirúrgicos e não cirúrgicos, e que a maioria desses eram para adelgaçar a área abdominal, como abdominoplastia. Este costume marcou os séculos XVI e XVIII, onde as damas usavam espartilhos e corpetes que afinassem a cintura e marcasse o busto, tornando corriqueiro caso de desmaios e fraturas nas costelas. Hodiernamente, é comum a ocorrência de desmaios e compressão dos orgãos devido o uso de cintas e espartilhos em mulheres e adolescentes que se veem insatsfeitas com o próprio corpo.
Há ainda, outras problemáticas encontradas quanto ao apego a padrões estéticos. Estes foram responsáveis pela criação de termos como bulimia, anorexia e, recentemente a vigorexia. Esta ocorre quando o indivíduo se vê como fraco e magro quando na verdade possui forma corpulenta, nessa mazela é característico uso de anabolizantes e excessiva prática de exercícios, o que pode acarretar problemas cardíacos e doenças laborais, sobretudo se esses esforços físicos forem realizados erroneamente e sem supervisão.
Dessarte, para que o culto a padronização corporal seja desarraigado, faz-se necessária ações por parte do corpo medicinal, midial e educacional. Para o primeiro, é preciso que, aliado ao governo federal, haja maior rigor quanto a permissão de profissionais não medicos - como biomédicos - a realizarem procedimentos estéticos, visto que, em casos de complicações, como anafilaxia, estes responsáveis não estão aptos para solucionar o problema, objetivando profissionais capacitados e maior segurança para o paciente. Há ainda, necessidade de ações por parte das mídias que estimulem a aceitação pessoal e não padrões que se desencaixem do biotipo corporal do indivíduo, atravéz de contratações de pessoas com etnias, tipo de corpo e cores diversas, objetivando a queda do preconceito a pessoas fora dos padrões. Além disso, faz-se preciso ações por parte das escolas, que deve estimular debates sobre estigmas corporais, a fim de evitar que, futuramente, essa problemática ressurja.