O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 29/05/2021
A era das influenciadoras digitais mostrou aos usuários de mídias sociais o quanto a voz de uma pessoa com muitos seguidores se faz ouvida e atendida, principalmente quando essa voz é voltada a publicidade. Nesse contexto, a propaganda acerca dos inúmeros processos estéticos, como a lipoaspiração, são influência direta para que os seguidores se sintam obrigados a ir em busca do corpo perfeito mostrado entre uma publicação e outra. Assim, seja pela ação da mídia a favor de procedimentos estéticos em busca do corpo ideal, seja pela normalização das cirurgias estéticas, a padronização é uma herança do patriarcalismo e atinge a sociedade atual.
A priori, a mídia tem um papel imprescindível para favorecer a idealização de um corpo perfeito ou, como muitas vezes dito, “de capa de revista”. Desse modo, o Instagram, por exemplo, tornou-se uma vitrine de corpos magros e padronizados que promovem dietas, procedimentos e cápsulas emagrecedoras para que todos possam se encaixar no esperado pela sociedade e que, por muitas vezes, não é o mais saudável a se fazer. Por isso, os meios de comunicação na internet acabam por distanciar a sociedade do ideal e, assim como dito por Pierre Bourdieu, “Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica”
Nesse mesmo viés, a busca por cirurgias plásticas e harmonizações é gradativamente maior, e a normalização desse processo faz mais recorrente a submissão da nova geração à sala cirúrgica para encontrar a aceitação. De acordo com o Jornal da USP, o número de procedimentos estéticos, feitos em 2016 pela população até os 18 anos, chegou a 97 mil, que representa 6,6% do total daquele ano. Ademais, a associação entre felicidade e o procedimento estético feito, transborda a ilusória sensação de satisfação e sucesso quando promovido e apoiado por nomes que estão sempre na mídia, não mostrando a realidade por trás dos cuidados após tais processos e o quanto esse pode tornar-se doloroso e demorado.
Conclui-se, portanto, que a pressão da mídia é a principal razão da promoção da ideia de que “corpos perfeitos e saudáveis” sejam aqueles dentro do padrão. Assim sendo, cabe às emissoras de televisão promover campanhas mais inclusivas, por meio da escolha de representatividade para a diversidade corporal, sem exclusão, a fim de incentivar, não só a quebra do padrão imposto, mas também a aceitação de um corpo natural e real, sem influência cirúrgica que, por vezes, pode tornar-se prejudicial à saúde. Só assim, será possível abolir a ideia ultrapassada de definição de um corpo ideal.