O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 27/05/2021
A ideia de “corpo perfeito” é cultural, ou seja, varia de acordo com as condições socioculturais de cada sociedade. Na Antiga Esparta, havia um apreço pelo corpo forte e resistente, pois essa sociedade era extremamente militarizada, e esse era o corpo padrão de um bom guerreiro. Já no Absolutismo Europeu, estar acima do peso era sinal de beleza e distinção social, porque somente os ricos possuíam condições bancárias de alimentação farta. A cultura capitalista contemporânea, dominante em quase todo o globo, inclusive no Brasil, utilizando os meios de comunicação de massa para vender uma imagem do “corpo ideal”, com o intuito de lucrar.
Primeiramente, deve-se reconhecer a padronização em massa pelas influências digitais como propulsora desse cenário. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, o consumo transforma pessoas em produtos. Dessa forma, as mídias, por meio das redes sociais, moldam o pensamento do público, alienando-os através de propagandas que promovem um modelo de vida utópico, que, supostamente deveria ser seguido, mais dificilmente será alcançado. À vista disso, os tornam capazes-se obcecados alcançar os padrões, reivindicando a próprio saúde mental.
Ainda nessa linha de raciocínio, outro ponto determinante é o fato de que a indústria da moda, que poderia promover uma quebra de padrões, não tem alcançado pleno êxito. De acordo com o filósofo Karl Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nessa perspectiva torna-se simples realizar uma alienação do coletivo tornando-os apenas um reflexo ilusório do idealizado pelas empresas, tudo, em prol do lucro. Contrariando tal paradigma, a empresa americana Calvin Klein utilizou em sua campanha um modelo fora dos padrões impostos pela sociedade: negra, trans e plus size, mostrando ao mundo que tais idealizações devem ser rompidas.