O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 28/05/2021

No livro “Sociedade do Espetáculo”, do filósofo e sociólogo Guy Debord, é explicitado sua idéia de que a sociedade é como um espetáculo, no qual as pessoas apresentam sua melhor performance, aparentando ter uma vida perfeita. Nesse sentido, a narrativa revela as falsas perspectivas que podem ser obtidas ao analisar a vida alheia, interiorizando um padrão a ser seguido. Dessa forma, fica claro que a realidade apresentada no livro pode ser relacionada àquela do século XXI: as causas da pressão estética e suas consequências na sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, faz-se necessário lembrar uma das primordiais causas da pressão estética, a intensa idealização do que é visto no âmbito virtual. Isso porque, a tentativa de aparentar perfeição por meio das redes sociais, gera em quem acompanha, um padrão inalcançável em que as pessoas se sentem cada vez mais insatisfeitas com sua realidade. Dessa maneira, acabam sendo influenciadas a diversos procedimentos estéticos em busca de tal êxito pessoal de forma incansavel. Assim, é inadmissível que mais pessoas sejam vítimas de tal padrão.

Consequentemente, o estabelecimento de um protótipo reflete um cenário devastador. Isto é, o constante insucesso em busca da perfeição instala marcas profundas de frustração, a obsessão por um rótulo imposto faz com que o indivíduo se submeta a implacáveis procedimentos, frequentemente, se tornando um ciclo vicioso, o qual ao final, ele nunca se dá por satisfeito. Logo, é indiscutível a gravidade dos danos causados pela imposição do que seria um corpo perfeito.

A fim de solucionar esse impasse, é necessária a mobilização de determinados agentes implicados em amenizar o quadro atual. Para a exterminação do padrão estético, urge que Digitais Influencers alertem, por meio de posts nas redes sociais, a respeito da gravidade do padrão estético, usando sua influência de maneira positiva e com responsabilidade. Tais alertas deverão incluir, também, relatos pessoais para uma mobilização maior. Somente assim, a realidade retratada no livro “Sociedade do Espetáculo” se tornará apenas ficção.