O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 31/05/2021
Promulgada pela ONU, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. No entanto, o culto a padronização corporal no Brasil impede que parte da população desfrute desse direito. Isso ocorre devido à falsa realidade que é mostrada nas redes sociais e leva a transtornos alimentares e outras doenças psicológicas.
Primeiramente, é lícito destacar que a edição excessiva das imagens postadas nas redes sociais contribuem para essa realidade no Brasil. Segundo a poetiza Rupi Kaur, “A representatividade é vital”, no entanto, não é o que acontece nas mídias. Ao abrir o Instagram, o usuário é bombardeado com fotos de pessoas dentro dos padrões sociais. Esse é um ciclo vicioso, pois, ao não se ver dentro daquele padrão, o cidadão não se sente representado e acaba buscando maneiras de alcança-lo, mesmo que seja impossível, já que aquele não é um corpo real e sim um editado por aplicativos.
Ademais, essa realidade apresentada tem contribuído para o crescente aumento de transtornos alimentares e psicológicos. Segundo a psicóloga Marina Oliveira, em entrevista ao jornal Estadão, a busca pelo corpo perfeito pode causar anorexia, bulimia e transtornos de imagem. Sendo assim, ao buscar esse padrão inalcançável de corpo as pessoas que antes eram saudáveis desenvolvem transtornos que necessitarão de tratamento com especialistas e que poderiam ter sido evitados caso eles não fossem bombardeados com corpos editados nas redes sociais.
Portanto, o poder público, na figura do Ministério das Comunicações, deverá impor um limite para o uso de editores de fotos, por meio de um projeto de lei a ser entregue à câmara dos deputados. Nele deve conter que as redes sociais irão inserir um aviso nas fotos em que forem usados editores, dizendo que essas imagens podem não refletir a realidade. Dessa forma, espera-se diminuir o culto a padronização corporal no Brasil.