O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 26/05/2021

Na sociedade brasileira vem aumentando os índices de transtornos alimentares e psicossomáticos. É necessário, portanto, combater as causas desse problema para evitar que a população continue a adoecer devido à veneração a um ideal estético. Sendo esses empecimentos, o controle e a influência usada pela mídia para repassar esse padrão e a fobia para com o corpo gordo.

É indubitável que a questão social esteja dentre as causas do problema. De acordo com o sociólogo Mário Vargas Llosa, a sociedade pós-moderna passou por um processo de transição no qual observou-se a supervalorização da imagem em detrimento do conteúdo. A mídia, utilizando-se dessa mudança, tem ditado o padrão de beleza vigente por meio da exposição, quase exclusiva, de profissionais muito magros e, ou, musculosos. Desse modo, a população é influenciada a guiar-se por esse modelo ilusório como meio para atingir a felicidade.

Outrossim, pode-se mencionar a dificuldade de aceitação do diferente como agravante do problema. A gordofobia é uma triste realidade no Brasil. Por tanto, movidos pelo medo de sofrer exclusão devido à forma física, muitos são levados a atitudes drásticas para manter o corpo estabelecido como bonito. Considerando que toda intolerância é um fato social, é importante combatê-la por meio da conscientização da população.

Fica claro, assim, que ações multi-setoriais são fundamentais para desmistificar a adoração corporal no Brasil. Com esse objetivo, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária deve intensificar o trabalho frente às agências de propaganda, estimulando a diversidade corporal e proibindo a utilização de modelos com Índice de Massa Corporal abaixo de 18,5 kg/m2. O Ministério da Educação, por sua vez, deve atuar no ensino a longo prazo, por meio da instituição da obrigatoriedade da disciplina de relações humanas nas escolas, na qual serão abordados por psicólogos temas como intolerância e respeito ao próximo e ao próprio corpo.