O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 27/05/2021
No regime imposto na Alemanha pelo austríaco Adolf Hitler, muitos judeus foram mortos com o propósito de “purificação” visando a permanência somente da mais pura e perfeita raça. Mesmo hoje, com o fim desse trágico regime, o culto à padronização corporal ainda existe. É perceptível, a obsessão em busca da perfeição quando nos deparamos em qualquer comercial de beleza, onde para ser belo é preciso seguir o padrão: cabelos lisos longos e loiros, olhos claros, ombros largos, cintura fina e pele branca como a neve.
Em princípio, nos primeiros comerciais da famosa marca Johnson’s Baby eram utilizados bebês com pele branca e olhos claros para promover o produto. Era pressuposto que, se seguissem essa tradição do padrão de beleza, que todos querem, seria mais bem promovido seu produto, aumentando o número de vendas. Essa tradição se perdeu nos dias de hoje.
Do mesmo modo, porém com uma tradição ainda ativa, praticamente todas as revistas de moda e cosméticos sempre usam modelos magros ou então, definidos, com cabelos lisos ou cacheados e olhos claros, com a justificativa de melhor promoção as vendas. São raras as vezes em que se encontram modelos fugindo desse padrão, com pele escura e cabelo crespo.
Desse modo, fica nítido que o principal envolvido na alienação das pessoas em cultuar à padronização corporal é a mídia, onde a mesma utiliza desses padrões para que impactem diretamente com o consumidor ou telespectador influenciando completamente em sua forma de vida. É necessária uma repaginação para que haja a quebra desse padrão, utilizando dos mais variados tipos corporais em propagandas, desde o mais gordo ao mais magro, do mais claro ao mais escuro, do mais liso ao mais crespo. Demonstrando assim, o valor de cada um do jeito que é e o quão prescindível é a busca do “corpo dos sonhos”.