O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 28/05/2021
De acordo com John Locke, filósofo inglês, o Estado deve, por meio de um contrato social, garantir à sociedade os direitos básicos, como vida e bem-estar social. No entanto, quando se observa a existência de uma procura por um padrão corporal, percebe-se que a ideia de Locke é refutada, tendo em vista que, devido à negligência governamental e à má influência das mídias sociais, muitos indivíduos têm seu psicológico abalado por uma busca inalcançável. Assim, faz-se imprescindível não só uma análise das causas, como também das possíveis soluções para o impasse.
A princípio, segundo Norberto Bobbio, filósofo italiano, a dignidade humana é uma virtude pertencente ao ser humano, e, por isso, o direito ao respeito e à consideração lhe é cabível por parte do Estado. Entretanto, é evidente que o poder público se faz ausente como executor de direitos fundamentais, pois sua falta de atenção aos grandes problemas emergentes na educação emocional dos cidadãos se torna preocupante, uma vez que a grande instabilidade psicológica destes indivíduos, faz com que eles se sintam inseguros e insatisfeitos por não estarem inclusos em um padrão corpóreo. Desse modo, é inadmissível que está situação perdure.
Além disso, vale salientar que a má influência das mídias sociais é um fator que contribui para a disseminação de uma busca por um padrão corporal. De acordo com filósofos da escola de Frankfurt, os avanços tecnológicos trouxeram uma vida melhor no ponto de vista técnico, porém eles questionam até que ponto eles são benéficos. Desta forma, é notável que apesar dos avanços tecnológicos terem trago inúmeras vantagens, hodiernamente, muitas pessoas, por acompanhar influencers digitais supostamente contidos em um padrão de beleza, criam uma alienação a um corpo, a princípio, “perfeito”. Como consequência, tal busca incessante faz com que essa parcela da população desenvolva doenças psicológicas, como ansiedade e depressão.
Logo, medidas são necessárias para solucionar a problemática. Portanto, cabe ao governo federal, na forma do Ministério da Educação, introduzir uma matéria escolar responsável por fortificar o estado emocional da população, com psicólogos devidamente capacitados, na intenção que eles alcancem um maior controle emocional, de forma a evitar insegurança e insatisfação com seus corpos. Ademais, cabe ao governo federal, ainda, diminuir o impacto negativo que as mídias sociais têm na forma com que as pessoas lidam com sua aparência, por meio da criação de campanhas e palestras nas instituições de ensino que explique à fase pueril sobre a necessidade de aceitação física. Desta forma, tornam-se adultos conscientes da inexistência de um corpo perfeito e que não se deixam afetar por um padrão físico. Espera-se, com essas ações, que a ideia de Locke possa ser concretizada na sociedade.