O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 29/05/2021

No livro “15 dias” de Vitor Martins, é retratado o personagem Felipe, que possui dificuldades em se relacionar com outras pessoas e sofre “bullying”, somente por estar acima do peso considerado “ideal” pela sociedade em questão. Analogamente, fora da ficção este cenário se faz presente na vida dos brasileiros, uma vez que determinados “moldes” são impostos aos corpos das pessoas (não muito gordo, não muito magro, sem pelos, sem estrias, sem defeitos), seja pela construção social pressuposta de um perfil ideal, seja pela ausência de empatia e compreensão das pessoas, o problema atualizado exigindo melhoria urgente.

Primeiramente, é importante ressaltar que impacto dos aspectos socioculturais corrobora de forma intensiva para o entrave. Nessa lógica, pode-se citar o sociólogo francês, Émile Durkheim, que afirma que o homem, mais do que um formador da sociedade, é um produto dela. De fato, a ação do indivíduo referente ao corpo modelo estimado na sociedade resulta de um pensamento coletivo errôneo, visto que essa construção social não significada nada além de aparências supérfluas e podem acarretar problemas psicológicos que alteram o físico das pessoas, apenas para se adequar a um padrão, como na bulimia, na anorexia, na depressão, entre outros. Assim, urge que uma base sociocultural seja revista para que o comportamento do indivíduo contemporâneo mude.

Em segundo lugar, é imperiosa uma análise acerca da capacidade humana de desmistificar julgamentos pré-selecionados, que dificultam ainda mais o processo de aceitação do próprio corpo e reforçam vários esteriótipos do ser humano. Nesse sentido, Dalai Lama, um importante monge e líder espiritual, traz que “o cultivo de estados mentais positivos como a generosidade e a compaixão, decididamente conduz a uma melhoria na saúde mental e na felicidade”. Depreende-se então, com essa frase, que por meio do pensamento acolhedor de empatia, pode-se quebrar o estigma de possuir o corpo perfeito e tornar o diferente mais comum. Desse modo, fica claro como a falta de compreensão alheia compactua para a permanência da problemática, mostrando-se impreterível sua resolução.

Portanto, para que o preconceito estipulado no físico das pessoas não se torne um entrave na convivência harmoniosa da sociedade, é necessário prover-se de medidas eficazes para resolução do impasse. Sob esse viés, cabe às instituições de ensino, como formadoras do conhecimento básico da população, incrementar pautas e matérias sobre como lidar com a divergência de padrões, por meio de aulas, palestras e escola entre especialistas e alunos, um fim de garantir que todo esse culto ao padrão de vida ideal seja desmistificado, além de normalizar ser diferente. Somente então, notar-se-á medidas significativas para o progresso na convivência de indivíduos numa cidadania igualitária.