O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 28/05/2021
Na música “Pretty Hurts”, a cantora Beyonce reflete sobre os padrões estéticos impostos pela mídia e como o “culto ao corpo perfeito” resulta em graves transtornos psicológicos e alimentares. Paralelo a isso, o culto à padronização corporal no Brasil continua enraizado na sociedade e ainda induz vários jovens na procura para estar dentro dos “padrões”. Sob essa perspectiva, a influência midiática e o aumento de cirurgias plásticas agravam a problemática.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a interferência da mídia como um problema. De acordo com o documentário “o dilema das redes “, as redes sociais influenciam diretamente no cotidiano além de impactarem no pensamento e na humanidade como um todo. Diante disso, a negligência da mídia provoca em adolescentes distúrbios, entre eles os alimentares, que devido a preocupação exagerada com o peso e a forma do corpo, leva a dietas extremas e transtornos como bulimia e anorexia. Logo, é inadmissível que esse cenário de irresponsabilidade efetuado pelas mídias sociais continue a perdurar.
Ademais, é fundamental apontar o aumento de cirurgias plásticas como impulsionador da questão no Brasil. Segundo as ideias do escritor Guy Debord, em seu livro “Sociedade do espetáculo”, os indivíduos vivem em uma performance constante e sempre aparentam perfeição, além disso, esses espetáculos criam uma utopia e uma ilusão de tentar trazer esses “padrões” para a realidade. Diante do exposto, os procedimentos plásticos são tentativas para se aproximar dessa “perfeição” apontada nesses espetáculos. Contudo, essas cirurgias apresentam riscos à saúde podendo ter complicações ou até mesmo seres letais. Apesar disso, o Brasil conforme dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, realiza anualmente mais de 1,5 milhões de procedimentos estéticos.
Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, por meio da influência midiática - televisiva e através de influenciadores digitais brasileiros-, realizar campanhas com os alertas sobre o perigo das cirurgias plásticas e distúrbios alimentares- tal campanha deverá ser inclusiva com pessoas de várias realidades e corpos-, a fim de diminuir o culto a padronização corporal no Brasil.