O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/05/2021

Para Nietzsche, filósofo contemporâneo, a beleza do ser humano encontra-se nas diversidades e particularidades de cada um. Em contraposição a isso, sucede no Brasil, o culto à padronização corporal. Esse fato coloca sob perspectiva duas problemáticas: a opressão social e a manipulação da elite industrial.

Primordialmente, é importante ressaltar a pressão imposta pela sociedade às pessoas. De acordo com Durkhein, o fato social é uma maneira de agir e pensar dotada de coletividade, exteriorioridade e coercitividade. Nesse sentido, a existência da mentalidade coletiva de adoração do corpo modelo pressiona o indivíduo a utilizar de meios alternativos e irracionais - dietas exageradas, exercícios físicos exaustivos e uso de anabolizantes-, com o propósito de se enquadrar no padrão de beleza imposto pela sociedade.

Outrossim, cabe destacar a persuasão massiva utilizada pela indústria da moda. De acordo com “Alegoria da caverna”, livro de Platão, vive-se num mundo de ilusões, e na realidade há orientação para tais comportamentos. De maneira análoga, as propagandas audiovisuais criam a ilusão de um indivíduo ideal, com o intuito de fomentar a compra de cosméticos, utensílios e vestuários do público popular, o qual não se identifica como perfil idealizado.

Destarte, é mister que o governo federal, mediante os Ministérios da Saúde e Educação, viabilize o ensino à aceitação e ao respeito das diferenças humanas nas escolas, por meio de palestras temáticas, consultas psicológicas periódicas e dinâmicas em grupo, a fim de formar uma população de pensamento coletivo e saudável. Ademais, urge às pessoas que protestem contra a manipulação industrial, por meio de petições, abaixo-assinados e manifestações nas ruas. A partir disso, espera-se mitigar o culto à padronização corporal e valorizar as diferenças humanas.