O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 28/05/2021
O culto à beleza acompanha a humanidade desde os seus primórdios, como na Grécia Antiga em que a valorização do corpo atlético era intensa. Porém, a relação do homem com seu corpo sofreu mudanças ao longo do tempo. Desde perfis mais avantajados à formas mais esbeltas, uma aparência física pode ser percebida como uma ferramenta de comunicação entre o ser e o mundo. Embora a “liberdade” de ser gordo ou magro pertença ao indivíduo, o inconsciente coletivo prega padrões rigorosos. A busca por este padrão, no entanto, pode causar problemas físicos e psicológicos.
Além disso, essas padronizações não respeitam os biotipos. O mercado de cirurgias plásticas tem crescido de forma acelerada no Brasil. Hoje em dia, os cirurgiões plásticos, os ortodontistas responsáveis pelas harmonizações faciais e modelos fitness se tornaram capazes de influenciar milhões e milhões de pessoas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgiões Plásticos (SBCP), houve um aumento de 25% nas ações estéticas em solo brasileiro. Em 2019, o Brasil tornou-se o país que mais faz cirurgias plásticas e procedimentos estéticos no mundo. Um fator também relevante, são as academias, “santuários” dos corpos sarados, em que ao contrário da saúde corporal, muitos buscam insanamente músculos para a obtenção do esteriótipo perfeito.
Entretanto, é o grande número de propagandas que oferecem um modo rápido e fácil para atingir o “corpo padronizado pela sociedade”. Os jovens e adolescentes são os alvos principais devido à suscetibilidade que apresentam, por estarem começando a socializar. As imposições da sociedade, que dobram a busca pelo corpo perfeito, oprimem os que não se encaixam esse padrão, tendo como consequência o aumento do número de casos de depressão, ansiedade, suicídio, transtornos alimentares, uso de anabolizantes, entre outras mazelas. Desta maneira, o culto ao corpo perfeito tornou-se uma escravidão com graves consequências.
Medidas são necessárias para resolver a problemática. Dessa maneira o Ministério da saúde junto com a Mídia e profissionais da área de Educação Física e Nutrição, deveriam promover campanhas de conscientização sobre os problemas de saúde causados pela busca da padronização corporal, utilizando rádios, televisão e redes sociais, visando alcançar o público de todas as idades. À família, cabe educar as crianças para não se tornarem adultos reféns dos padrões de beleza impostos pela sociedade e caso necessário, buscar acompanhamento psicológico para seus rebentos. Só assim, o equilíbrio entre corpo e mente será restabelecido.