O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 31/05/2021

“Tinha uma pedra no meio do caminho”. O famoso verso do poeta Carlos Drummond de Andrade trata de uma metáfora para desafios. Fora da literatura, é evidente que há uma pedra no caminho do Brasil : o culto à padronização corporal. Dessa forma, faz-se necessário discutir essa problemática, que é agravada pela influência midiática e pela pressão e imposição da sociedade. Tal fato reflete uma realidade complexa no que diz respeito aos seus efeitos sobre a população brasileira.

Em primeiro plano, segundo o escritor George Orwell, a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa. Tal afirmativa acontece na prática, dado que a geração desta época é influenciada demasiadamente pela mídia. Com isso, essa comunicação social influencia os comportamentos e padrões de beleza ligados à indústria, convencendo o público de que o corpo pode ser moldado de acordo com a própria vontade, mas ocorre de maneira oposta, surgindo vários transtornos. Esses distúrbios como anorexia e bulimia, se alastram cada vez mais devido a pressão para corresponder ao “padrão” de beleza imposta exaustivamente pela mídia, sendo preciso tomar medidas severas.

Outrossim, no filme “Felicidade por um fio”, é abordado sobre Violet, uma mulher obcecada por beleza, perfeição e, principalmente, por seu cabelo. Violet sofre uma imensa pressão social e familiar para se enquadrar no estereótipo do que é considerado ideal, e isso trás grandes reflexos em sua vida. Fora da ficção, tal fato acontece na prática, visto que com a grande pressão implantada pela sociedade, muitos indivíduos se cobram e buscam a beleza para ter um “corpo perfeito”, e os que não conseguem ficam oprimidos, ocasionando diversos problemas. Esses malefícios como depressão, ansiedade, suicídio e ademais mazelas, expandem progressivamente, criando-se assim, um cenário no qual há um aumento de problemas de saúde graves, o que deve ser repensado.

Diante do exposto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. A fim de acabar com o paradigma corporal, urge que o Governo Federal, junto às Mídias, como televisão, jornais e redes sociais, crie, por meio de verbas governamentais, campanhas e propagandas que mostrem a realidade física e cultural de diferentes pessoas, expondo as diferenças que há em cada indivíduo, revelando a beleza que existe nas características de cada um, abolindo de vez o padrão corporal. Somente assim, retirando as pedras do meio do caminho, construir-se-á um Brasil mais tolerante.