O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 31/05/2021

Na música “Pretty Hurts” (A beleza machuca), da cantora Beyoncé, é revelado os danos, físicos e psicológicos, e as dores que a construção do corpo perfeito causa em uma pessoa. Saindo da música e entrando na realidade, hodiernamente é comum observar essas ações sendo feitas por determinados indivíduos na busca de se encaixar. Desse maneira, é notório que tal problema é estimulado pelo padrão de beleza física imposto pela mídia. À vista disso, é necessário analisar o fator detrás desse cenário, bem como medidas para atenuar essa questão.

Convém ressaltar que embora a esfera midiática tenha proporcionado vários benefícios para o povo, ela, ultimamente, tem potencializado a ideia de que é preciso ter uma “aparência ideal” para ser incluído no mundo. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu isso pode ser definido como violência simbólica, na qual uma violência “invísivel” é feita por meio de símbolos, e seus significados irão exercer certo domínio sobre as pessoas, do qual o dominado é colaborador. Isso acontece porque a mídia tem o poder de escolher quais temas irá tratar com prioridade, sucedendo na propagação e influência desse poder simbólico presente na malha social a respeito do corpo perfeito. Por exemplo, este é um símbolo na sociedade, logo os indivíduos que não têm uma estrutura física ideal sofrem violência tanto psicológica quanto velada, que, muitas vezes, vêm em tons de brincadeiras em programas humorísticos ou em filmes. Como efeito, alguns acabam desenvolvendo transtornos alimentares para não serem postos à margem da população. Dessarte, os padrões estéticos acarretam em implicações sociais.

Infere-se, portanto, a necessidade da imprensa tomar uma atitude quanto à problemática do culto à padronização corporal no Brasil. Para tanto, essa, pela capacidade que tem de amplo alcance populacional, deve, por intermédio das propagandas em veículos midiáticos, como a televisão, instigar a desconstrução dessa ideologia criada quanto ao corpo ideal abrindo espaço para as pessoas que são vistas como fora do padrão mostrarem que não existe uma aparência ideal, a fim de que eles se sintam inclusos no tecido social. Só com tais medidas que o caminho para a representatividade será aberto.