O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 29/05/2021

Na Grécia Antiga, beleza era sinônimo de equilíbrio. Para os gregos, a proporção entre as partes e a harmonia entre o corpo e a mente evidenciava o belo. Porém, hoje esses princípios foram abandonados, sobrepostos pelo culto à padronização corporal. A obssessão pelo corpo perfeito, na sociedade brasileira, cria valores morais fracos. Nesse cenário, o padrão físico é tido como parâmetro para avaliar os indivíduos, em detrimento à personalidade desses. Outrossim, a busca constante pelo modelo ideal provoca angústia, devido à falta autoaceitação.

Pode-se afirmar que, conforme a evolução das culturas e dos povos, o conceito de belo foi diversas vezes alterado. Na sociedade contemporânea brasileira, essa concepção estima um único protótipo. Nessa conjuntura, as mídias possuem suma influência, devido ao conteúdo exposto por essas, o qual exclui as diversidades de corpos. Dessa forma, o brasileiro é bombardeado por apenas um padrão, isso gera estranhamento ao diferente do que lhe é mostrado.  Assim sendo, segundo a terceira lei de Newton: “toda ação corresponde a uma reação”, nesse contexto, a reação é o prejulgamento de pessoas imcopatíveis ao idealizado.

Ademais, semelhante ao conto “O patinho feio”, de Hans Anderson, no qual um patinho, por ser diferente dos demais, sente-se triste e excluído, as pessoas têm as mesmas sensações na realidade. Isso ocorre devido ao não reconhecimento no próximo, que acarreta no sentimento de insegurança. Desse modo, quando não alcançados os padrões impostos pela sociedade, o indivíduo tem dificuldade para aceitar a si mesmo. Por conseguinte, o transtorno emocional é gerado.

Portanto, é notório que a falta de representatividade e o culto a um padrão corporal acarreta valores sociais fracos e problemas individuais. Logo, é mister as mídias, as quais possuem forte interferência na forma de pensar de uma população, apresentaram a pluralidade de corpos, por meio de campanhas e propagandas que os exibam. Isso tem como fito coibir a obsessão por modelos inalcançavéis e interromper o “ciclo do patinho feio”.