O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/05/2021
“Dizes que a beleza não é nada? Imagina um hipopótamo com alma de anjo… Sim, ele poderá convencer os outros de sua angelitude - mas que trabalheira!”. Essa frase do poeta Mário Quintana sintetiza bem o quanto os padrões de beleza influenciam o julgamento das pessoas. Esses padrões foram introduzidos na sociedade desde a antiguidade, nas mais variadas culturas, incluindo a brasileira. A consolidação desse conceito pode causar inúmeros prejuízos à sociedade, por isso é necessário debater seus diversos aspectos.
Primeiramente, vale ressaltar que, a difusão das redes sociais contribuem para elevar ainda mais o culto ao corpo perfeito. Celebridades e influencidores digitais exibem uma vida perfeita associada à sua beleza física, causando no público em geral um desejo incessante de seguir o padrão que lhe foi divulgado. Com isso, observa-se que muitos indivíduos investem em cirurgias plásticas desnecessárias e em procedimentos perigosos- que podem causar danos sérios à saúde - com o único objetivo de se adequar a um ideal físico vendido como perfeito.
Ademais, é importante destacar que, as indústrias voltadas à estética e à moda se aproveitam dessa “ditadura da beleza” para aumentar seus lucros. Assim, investem muito em publicidade, usando a mídia para convencer os espectadores da necessecidade de consumir seus produtos como um meio de encontar a aparência idealizada. Dito isso, muitos dos influenciados por essas estratégias de marketing são os jovens - que são mais sucetíveis, por geralmente estarem em busca de se adequar ao seu meio social e acharem que não serão aceitos se não possuirem um físico perfeito. Isso mostra que, os que não se encaixam no padrão de beleza se sentem oprimidos e excluidos, podendo levar à quadros sérios de depressão.
Compreende-se, portanto, que o Estado - através do ministério da educação - deve promover palestras nas escolas visando mostrar ao público adolescente que a aparência não é tudo que importa e que é possível se sentir bem com o próprio corpo. Além disso, é preciso que o CONAR ( Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária) fiscalize as propagandas que incitam a padronização estética. Assim, será possível acabar com essa busca incasável pela perfeição e aumentar a aceitação de todas as formas de beleza.