O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/05/2021
Para Durkheim, sociólogo francês, mais do que formador da sociedade, o homem é um produto dela. Sob essa ótica, percebe-se que o estereótipo denominado “padrão de beleza”, outrora criado pela própria comunidade, manifesta-se, hoje, como uma problemática a ser combatida. Devido aos diversos transtornos psíquicos e alimentares gerados, o assunto tem ganhado destaque entre nutricionistas e psiquiatras no Brasil, haja vista a forte influência midiática como principal fator.
A estética que, porventura, é muito debatida no campo filosófico, atualmente se manifesta como um fato social - já mencionado por Durkheim - evidenciando sua exterioridade e coercitividade. Todavia, a busca por um corpo perfeito se torna prejudicial quando é colocada à frente da preocupação com a saúde. Casos de anorexia, bulimia e vigorexia demonstraram um aumento nas últimas décadas, principalmente entre as mulheres. De acordo com a pesquisa realizada pela Edelman Intelligence, publicada em 2018, 83% das mulheres entrevistadas se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza. Por conseguinte, observa-se que a problemática de carácter inercial e crescente é constante no que se refere à população brasileira.
Outrossim, as instituições sociais midiáticas e publicitárias promovem a entrada do individuo, desde a sua infância, na busca por um ideal estético. Dessa forma, vale ressaltar não só novelas e seriados que o tempo todo transmitem, inconscientemente , o estereótipo a se seguir, mas também desenhos e brinquedos que visam o público infantil. Bonecos, por exemplo, como “Barbie” e “Max Steel” estão presentes durante toda a juventude de grande parte da população, não como brinquedos, mas como ídolos que influenciam fortemente na criação de estereótipos de “corpos perfeitos”. Desse modo, percebe-se um dos principais pilares que sustentam o impasse em questão, contribuindo, também, para o surgimento de todas as doenças supracitadas.
Portanto, medidas são necessárias para resolver esse impasse. Sendo assim, o Governo Federal deveria impor na agenda escolar pública uma meta de realização de palestras com psicólogos nas escolas, no intuito de alertar os alunos a passarem a enxergar os cuidados com o corpo de maneira mais racional e saudável. Somado a isso, cabe ao Ministério da Saúde, em aliança com hospitais da rede privada, disponibilizar acompanhamento nutricional de forma gratuita para a população que estiver previamente diagnosticada com problemas alimentares. Desta forma, os índices de anorexia diminuiriam gradativamente, pois a população estaria mais instruida acerca de hábitos alimentares. Tomando-se essas medidas, o Brasil estaria construindo um futuro em que a sua população estaria apta a distinguir o que é prejudicial ou saudável para suas vidas.