O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 29/05/2021

“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. O famoso verso de Vinicius de Moraes é capaz de sintetizar muito bem o pensamento hegemônico vigente há alguns séculos. A Idade Contemporânea trouxe várias mudanças e inovações, dentre elas a construção e o fortalecimento de padrões estéticos, em centros urbanos, até então adotados e compreendidos majoritariamente pelas nobrezas aristocráticas. A junta dessa concepção pode trazer inúmeros malefícios à sociedade, tornando necessário um debate acerca de seus aspectos.

Sendo assim, é preciso pontuar, de início, que, segundo o filósofo Karl Marx, o pensamento prevalecente em uma sociedade é comumente imposto pela classe dominante. Dessa forma, é possível deduzir que, com frequência, os grupos mais prejudicados sejam os menos favorecidos financeiramente. Os padrões de beleza, idealizados pela elite, não são de fácil acesso às classes menos privilegiadas, estas normalmente se sentindo lesadas por não reproduzirem um arquétipo de estética.

Ademais, é o grande número de propagandas que um modo rápido e fácil para atingir o “corpo perfeito”. Os jovens são o alvo principal, devido à suscetibilidade que apresentam, por estarem começando a socializar. As imposições da sociedade, que cobram a busca pela beleza, oprimem os que não se encaixam nesse padrão, tendo como consequência o aumento no número de casos de depressão, ansiedade social, suicídio, entre outras mazelas, na população.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. O órgão CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) deve obrigatoriamente propagandas regulares que incitem a adoção de padrões estéticos com maior rigidez, promovendo a diversidade de aparências. O Ministério da Educação, aliado às escolas de rede pública e privada, deve realizar palestras educativas, ministradas por professores e educadores, que abordem o tema. Posto isso, será possível mitigar a busca desmedida e exacerbada pela perfeição corporal.