O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 30/05/2021
Dentre as maiores invenções do século XX, os Meios de Comunicação de Massa ganham grande destaque devido à democratização da informação. No entanto, ao mesmo tempo que tais tecnologias trouxeram benefícios à sociedade, também possibilitaram a propagação de padrões estéticos que deixam a população refém do ideal de corpo perfeito. Torna-se necessário, portanto, entendre como causas desse problema e analise seus efeitos para solucioná-lo.
Em primeiro lugar, é importante analisar alguns padrões corporais ao longo da história. Na Idade Moderna, por exemplo, as pessoas, principalmente as mulheres, eram valorizadas pelas curvas acentuadas, sendo essa característica marcante da parcela mais abastada da sociedade. Não é difícil perceber, contudo, que esse conceito de beleza foi substituído pela ditadura da magreza quando alguém perceber que poderia lucrar com isso. Prova disso são os inúmeros remédios vendidos para reduzir apetite, os diversos tipos de cirurgias plásticas e a própria moda, que tornam-se o sonho de consumo da população.
Além disso, uma padronização corporal pode trazer vários problemas psicológicos aos inseridos nesse contexto. Isso porque há uma obsessiva luta para se encaixar no conceito de belo e, quando ele não é alcançado, surge uma frustração. Após isso, problemas ainda mais sérios à tona, como a depressão, anorexia e bulimia, prejudicando a socialização dessas pessoas que tendem a cada vez mais sofrer a pressão da aceitação. Acerca disso, torna-se cada vez mais difícil ter uma mente sã em um corpo são numa sociedade em que existe uma “gordofobia” e as relações interpessoais baseiam-se em características superficiais, como já previa Zygmunt Bauman em “Modernidade Líquida”.
À vista disso, fica claro que esse problema é bastante amplo e deve ser tratado com atenção. Em um primeiro plano, os próprios Meios de Comunicação de Massa que foram capazes de potencializar a ditadura de corpos, devem aliar-se a uma ONGS para irradiar não só a ideia de aceitação, mas também o boicote aos padrões incitados pelo capitalismo, seja por meio de comerciais educativos ou programas voltados para exaltar a heterogeneidade dos proprietários. É um processo longo e difícil, porém sem a conscientização da sociedade, torna-se impossível quebrar paradigmas e estereótipos já enraizados cultura e socialmente.