O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/05/2021

A partir da Revolução Industrial, diversos povos passaram por transformações não só econômicas como, principalmente, sociais. Embora a sociedade brasileira atual apresente contornos específicos, ainda é possível visualizar o legado presente na questão do culto à padronização corporal no Brasil. Nesse sentido, é preciso que seja aplicado para alterar essa situação, que possui como causas: a base educacional lacunar e a falta de debate.

Em primeira análise, a base educacional lacunar mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Para Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. De acordo com essa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange ao culto à padronização corporal, percebe-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos que ajam na resolução da questão. Desse modo, é inadmissível que tal situação se perpetue, pois traz consequências gravíssimas, como o aumento dos casos de depressão.

Outrossim, a falta de debate ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defensor que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o estigma do corpo perfeito seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo aumentaria uma chance de atuação nele.

Logo, medidas estratégicas são obrigatórias para esse cenário. Sendo assim, é essencial que o Ministério da Educação, em parceria com empresas, promova, para professores das redes pública e privada, cursos sobre como abordar conflitos sociais na sala de aula. Esses cursos devem ser gratuitos e digitais, ensinando diferentes ferramentas e métodos para que os professores discutem as questões sobre os estigmas corporais, e consigam, assim, propor diferentes soluções em conjuntos com os alunos. Portanto, como propostas Habermas, encontraria-se um meio de resolver a questão, por meio do uso da linguagem.