O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 30/05/2021

“Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho, tinha uma pedra”. Com base no poema do autor modernista Carlos Drummond de Andrade, a pedra pode ser facilmente comparada com o culto à padronização corporal no Brasil, visto que, é um obstáculo no meio do caminho para a autoaceitação da população. Desse modo, problemas como transtornos alimentares e doenças psicológicas ligadas ao corpo, contribuem para que essa pedra continue no meio do caminho.

A cantora norte-americana, Melanie Martinez, em 2016, lançou uma canção que alcançou repercussão mundial: “Mrs. Potato Head”, senhor cabeça de batata, em português. Tal música reflete sobre a pressão imposta, não só pela sociedade mas também pela mídia, nas mulheres para alcançarem o famoso “corpo ideal”, e alerta, ainda, sobre as consequências que a mudança corporal radical pode causar no futuro, como bulimia, anorexia, vigorexia, doenças psicológicas…

Em 2018, uma mulher chamada Lilian Calixto, insatisfeita com o próprio corpo fez um procedimento estético chamado lipoaspiração com o doutor Denis Furtado. Tal intervenção estética teria a duração de 1 hora e 30 minutos, além de não ter grandes complicações, porém Lilian não resistiu e acabou falecendo. Com tudo, ainda hoje é possível ver milhares de mulheres querendo alterar o corpo para se sentirem mais bonitas e dentro do padrão de beleza imposto pela sociedade, ou até mesmo para se parecerem com famosas como Kim Kardashian e Kylie Jenner, mulheres mundialmente conhecidas por terem o corpo dos “sonhos”.

Com base no exposto, é evidente que o culto à padronização corporal fragiliza a sociedade brasileira. Por tanto, cabe ao Governo investir em campanhas publicitárias de ampla divulgação e em palestras em escolas, sendo apresentado diversos modelos físicos de beleza, para que assim haja a desconstrução dos padrões, a fim de trazer representatividade à população. Somente assim, o culto à padronização corporal deixará de ser uma pedra no meio do caminho, encaminhando a sociedade para a autoaceitação.