O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 31/05/2021

Como diria Max Weber, as pessoas lutam constantemente para atingirem os “tipos ideais”. Na Grécia Antiga, o corpo humano era cultuado e mostrado em esculturas de uma forma considerada perfeita. Esse culto ao corpo perfeito é disseminado nos dias de hoje pelas mídias sociais, fazendo com que homens e mulheres busquem cada vez mais um padrão estético que os façam ser socialmente reconhecidos. No entanto, essa busca pode trazer problemas psicológicos, físicos e sociais principalmente para a juventude brasileira.

É importante analisar alguns padrões corporais ao longo da história. Na Idade Moderna, por exemplo, as pessoas, principalmente as mulheres, eram valorizadas pelas curvas acentuadas, sendo essa a característica marcante da parcela mais abastada da sociedade. Não é difícil perceber, contudo, que esse conceito de beleza foi substituído pela ditadura da magreza quando alguém percebeu que poderia lucrar com isso. Prova disso são os inúmeros remédios vendidos para reduzir apetite, os diversos tipos de cirurgias plásticas e a própria moda, que tornam-se sonho de consumo da população.

Com isso, os cuidados com a aparência em exagero podem desencadear graves danos à saúde. Nesse sentido, anorexia, bulimia e a vigorexia, por exemplo, favorecem a osteoporose, a pressão baixa e podem levar o indivíduo à óbito diante da alimentação inadequada. Desse modo, os transtornos alimentares afetam o psicológico de jovens e estimulam uma cultura à beleza em detrimento da saúde de cada um deles.  Segundo o conceito de modernidade líquida do sociólogo Zygmunt Bauman, o individualismo, a superficialidade e o consumismo atingem nossa sociedade cada vez mais. Isso é refletido na consequências que a urgência de fazer parte de um modelo social. Segundo uma pesquisa realizada pela Edelman Intelligence, publicado em 2016. Mostra que em média 63% das mulheres acreditam que “certo tipo” de aparência importa para ser bem sucedida.

É preciso, portanto, que se reflita sobre essa representação corporal que são imposta a cada dia para solucionar o impasse . O Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (CONAR) deverá regular propagandas que incitem a adoção de padrões estéticos com maior rigidez, promovendo a diversidade de aparências. O Ministério da Educação, aliado as escolas da rede pública e privada, deverá realizar palestras educativas, ministradas por professores e educadores, que abordem o tema. Posto isso, será possível mitigar a busca desmedida e exacerbada pela perfeição corporal. Também, o governo, em parceira com ONG’S, devem implantar programas sociais de saúde e bem-estar que promovam: à reeducação alimentar, a prática de atividades físicas sobre as formas  corretas.