O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 31/05/2021

Na Grécia Antiga, a beleza do corpo não se resumia à estética, ela expressava um modo de vida do indivíduo grego. O cidadão belo era aquele que tinha nos exercícios físicos uma prática de valor do grande homem. De maneira análoga, a sociedade brasileira apresenta a consolidação dessa ideologia na qual tem ultrapassado os princípios dessa civilização antiga e tem complicado a autoestima e saúde de muitas pessoas.

Nessa perspectiva, é preciso entender sobre a padronização corporal disseminada pela sociedade e os transtorno alimentares associados à caminhada para atingir o “corpo perfeito”. Esse comportamento perpetua-se nos tutoriais sobre dietas radicais, no consumo de anabolizantes e até mesmo em algumas intervenções cirúrgicas, ilustrando, de modo latente, a realidade preocupante da sociedade contemporânea: a busca incessante pela meta corporal, enquanto a formação de princípios e valores assume posições sociais irrelevantes. Dessa forma, nota-se que a veneração do corpo é um problema grave, por ser visto, muitas vezes, como a razão para se viver. Outrossim, os transtornos psicológicos ocasionados pela obsessão da perfeição corporal, como anorexia, bulimia e vigorexia, é preocupante. Neste último, por exemplo, o uso de anabolizantes e hormônios de repo-sição hormonal só devem ser liberados sob prescrição médica em casos de hipogonadismo. Entretanto, a comercialização ilegal desses fármacos para avantajar o porte muscular é comum em alguns centros desportivos, o que intitula ações sólidas à isso, sendo considerado crime, por serem medicamentos ilegais para comércio sem uma receita médica, podendo aumentar o índicie do tráfico de medicamentos ilegais no Brasil quando existir uma maior procura por esses produtos, podendo até aumentar os níveis de violência gerado pelo tráfico.

É indispensável, portanto, a criação de medidas para combater a padronização corporal e os danos a saúde. Cabe à mídia interferir na propagação de corpos ideais, lançando propagandas com pessoas de diferentes físicos, mostrando a importância de respeitar a diferença do corpo e, assim, atenuar os esteriótipos de que apenas quem apresenta um corpo magro será aceito na sociedade. Ademais, o Ministério da Saúde deve, em parceria com médicos e psicólogos, promover campanhas sociais, em postos de saúde e hospitais, atendendo pessoas e identificando as que possam apresentar problemas de saúde decorrentes de uma idealização corporal. Dessa maneira, o culto à forma não será tão importante e valorizada quanto os principios e valores humanos.