O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/06/2021

Sociólogo francês, Pierre Bourdieu, com base na “Teoria do Habitus’’, afirma que o indivíduo tende a ser influenciado por comportamentos enraizados na sociedade e se habituar diante de situações, mesmo que problemáticas. Dessa forma, essa análise do convívio em sociedade pode representar facilmente o comportamento passivo da população diante do culto à padronização corporal no Brasil, já que é justamente a habitualidade frente a essa padronização que consolida a falta de medidas para a erradicação deste quadro. Assim, não só a imposição da sociedade,como também a influência das redes sociais consolidam essa situação.

“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”, o famoso verso do poeta Vinicius de Moraes é capaz de sintetizar muito bem o pensamento hegemônico vigente há alguns séculos. De acordo com uma pesquisa feita pela rede de cosméticos Dove, a média da pressão pela busca do “corpo perfeito” no Brasil é maior que a média mundial. Sob esse viés, vale destacar que essas imposições da sociedade, oprimem os que não se encaixam nesses padrões impostos, tendo como consequência o aumento de casos de depressão, suícido,anorexia, bulimia, ansiedade entre outras mazelas.

Segundo o filósofo Karl Marx, o pensamento prevalecente em uma sociedade é o imposto pela classe dominante, assim, é possível observar que as blogueiras hoje em dia têm imposto cada vez mais os padrões de beleza idealizados, mulheres brancas com “corpão”. Nessa perspectiva torna-se simples realizar a alienação do coletivo tornando-os apenas um reflexo ilusório do idealizado pelas blogueiras. Contrariando tal paradigma, a empresa americana Calvin Klein utilizou em sua campanha uma modelo fora dos padrões impostos pela sociedade: negra, trans e plus size, mostrando ao mundo que tais idealizações devem ser rompidas.

Fica evidente, portanto, que o culto à padronização corporal , é algo que a sociedade brasileira tem aderido cada vez mais. Nesse sentido, cabe às empresas, as quais visam demasiadamente o lucro, juntamente com as mídias sociais, irradiar a ideia de aceitação e boicote a padrões incitados pelo capitalismo, por meio de programas voltados à inclusão e exaltação da heterogeneidade dos indivíduos, quebrando assim os atuais estereótipos criados. Outrossim, cabe que as escolas brasileiras promovam debates sobre as diversidades de belezas e da necessidade da aceitação pessoal.