O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 01/06/2021

Dentre asmaiores invenções do século XX, os Meios de Comunicação de Massa ganham grandedestaque devido à democratização da informação. No entanto, ao mesmo tempo quetais tecnologias trouxeram benefícios à sociedade, também possibilitaram apropagação de padrões estéticos que deixam a população refém do ideal de corpoperfeito. Torna-se necessário, portanto, entender as causas desse problema eanalisar seus efeitos para solucioná-lo.

Em primeiro lugar, é importante analisar alguns padrõescorporais ao longo da história. Na Idade Moderna, por exemplo, as pessoas,principalmente as mulheres, eram valorizadas pelas curvas acentuadas, sendoessa a característica marcante da parcela mais abastada da sociedade. Não édifícil perceber, contudo, que esse conceito de beleza foi substituído peladitadura da magreza quando alguém percebeu que poderia lucrar com isso. Provadisso são os inúmeros remédios vendidos para reduzir apetite, os diversos tiposde cirurgias plásticas e a própria moda, que se tornam sonho de consumo dapopulação.

Além disso, a padronização corporal pode trazer váriosproblemas psicológicos aos indivíduos inseridos nesse contexto. Isso porque háuma obsessiva luta para se encaixar no conceito de belo e, quando ele não éalcançado, surge a frustração. Após isso, problemas ainda mais sérios vêm àtona, como a depressão, anorexia e bulimia, prejudicando a socialização dessaspessoas que tendem a cada vez mais sofrer a pressão da aceitação. Acerca disso,torna-se cada vez mais difícil ter uma mente sã em um corpo são numa sociedadeem que existe a “gordofobia” e as relações interpessoais baseiam-seem características superficiais, como já previa Zygmunt Bauman em"Modernidade Líquida".

À vista disso, fica claro que esse problema é bastante amploe deve ser tratado com atenção. Em um primeiro plano, os próprios Meios deComunicação de Massa que foram capazes de potencializar a ditadura de corpos,devem aliar-se a ONG?s para irradiar não só a ideia de aceitação, mas também oboicote aos padrões incitados pelo capitalismo, seja por meio de comerciaiseducativos ou programas voltados para exaltar a heterogeneidade dos indivíduos.É um processo longo e difícil, porém sem a conscientização da sociedade,torna-se impossível quebrar paradigmas e estereótipos já enraizados cultura esocialmente.