O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/06/2021

Na obra Utopia, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, visto que o culto à padronização corporal no Brasil apresentam barreiras, como traumas e transtornos aos indivíduos que fogem desses padrões, muitas das vezes iniciadas em âmbito escolar, ou inserida pela sociedade, as quais dificultam as concretizações dos planos de More.

No contexto dessa discussão, é preciso considerar que, a importância escolar nesse tema. Segundo dados do (10°) Anuário brasileiro de Segurança Pública, as provocações que as vítimas afirmam ter mais sofrido têm relação com a aparência do corpo, cerca de 15,6%. Isso deixa claro que as escolas não devem fechar os olhos para esse assunto, visto que tal fato pode ser confirmado pela indiferença do meio estudantil aos casos de “bullying” nas salas de aula relacionados aos padrões de beleza.

Ainda na perspectiva dessa problemática, é preciso acrescentar que no Brasil a uma busca excessiva pelo corpo perfeito. Conforme a pesquisa “Há uma Beleza Nada Convencional”, feita pela marca Dove, apenas 8% das mulheres entre 33 aos 37 anos, não se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza. Vendo isso é nítido que a sociedade impõe um padrão de beleza onde não tem, ocasionando muitas das vezes os transtornos nas vítimas.

Diante do exposto, fica claro que o culto à padronização corporal no Brasil requer atenção. Para isso, as escolas devem promover palestras e inserir em seus conteúdos assuntos sobre a não padronização corporal, no intuito de ensinar que não há corpo perfeito, fazendo com que diminua os casos de “bullying”. Ademais, cabe a mídia, enquanto formadora de novos comportamentos e opiniões, promover em sua rede de programação, como novelas e propagandas, por exemplo, a aceitação do corpo, de modo a garantir o bem-estar dos indivíduos.