O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 07/06/2021
O historiador e filósofo iluminista David Hume defendia, dentre várias ideias, que a classificação de algo como belo é altamente variável e subjetiva, sendo dependente do gosto de cada indivíduo, tendo dito que “a beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla”. No entanto, percebe-se na sociedade brasileira atual uma padronização no que diz se respeito a estética do corpo humano, principalmente na população feminina. De fato, o padrão de beleza feminina é amplamente difundido no país, sendo responsável por diversos problemas de saúde, de natureza tanto física quanto mental.
Deve-se abordar, em primeiro plano, que as mulheres são inegavelmente as mais afetadas por essa uniformização dos valores estéticos, que têm um menor impacto na parcela masculina. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Clínicas e Spas, as mulheres representam cerca de 2/3 dos clientes nacionais de produtos e serviços de beleza. Além disso, segundo a pesquisa “Há uma Beleza nada Convencional”, realizada pela Edelman Intelligence em 2016, mais de 3/4 das entrevistadas se sentiram pressionadas a alcançar um determinado padrão estético, sendo que 2/3 consideraram essêncial que se acatasse certas normas de beleza para a vida na sociedade atual. Nesse sentido, entende-se que a maioria das mulheres se sentem obrigadas a atingir os padrões de beleza amplamente divulgados, se tornando assim o maior mercado-alvo das industrias de beleza brasileiras.
É preciso ressaltar, ainda, que a busca por esses padrões pré-estabelecidos de beleza acaba muitas vezes sendo danosa a saúde de um índividuo, podendo resultar em casos graves. Segundo uma pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde, cerca de 1/10 da população brasileira sofre de algum transtorno alimentar. Os transtornos alimentares, por sua vez, são um tipo de transtorno mental onde práticas alimentares geram danos á saúde física e mental de um índividuo, sendo a anorexia, bulimia e vigorexia os mais comuns. Segundo a psíciologa Valeska Bassan, uma das principais causas desses transtornos é a supervalorização de um “corpo perfeito” nas redes sociais, que acaba influenciando sobretudo a população jovem, os maiores utilizadores dessa forma de comunicação.
Diante do exposto, evidencia-se que, para resolver a questão do culto à padronização corporal no Brasil, medidas devem ser tomadas imediatamente. Para tal, cabe as Redes de Ensino públicas e privadas conscientizar os seus alunos, por meio de palestras e debates, a respeito da subjetividade da beleza e da aceitação de seu próprio corpo, a fim de diminuir a busca incansável pelo “corpo perfeito” por parte das futuras gerações. Ademais, a Mídia deve conscientizar a população, por meio de campanhas televisivas, a respeito da gravidade e letalidade dos transtornos alimentares, a fim de diminuir a ocorrência dos mesmos.