O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 03/06/2021
No filme “Dumplin”, traduzido como fofinha, é retratada a vida de Willowdean Dickson, uma jovem acima do peso e fora dos padrões de beleza que sempre sofrera muito bullying, no entanto, sendo bastante confiante e filha de uma ex-miss fissurada pelos padrões. Ao longo da trama, a jovem inicia uma revolta com outras duas garotas fora do padrão, participando de um concurso de miss, enquanto passa por inseguranças com seu corpo ao envolver-se com um rapaz. Fora das telas, é fato que a realidade do filme é bastante comum: jovens passando por diversas situações desagradáveis por conta dos padrões impostos e a pressão que estes fazem sobre elas.
Em primeiro lugar, faz-se necessário relembrar do bullying sofrido por Willowdean e suas colegas “fora do padrão”. Em um determinado ponto do filme, um garoto impede a colega Millie de andar pelo corredor, alegando não haver espaço para ambos, em uma brincadeira de mau gosto. Inúmeras jovens passam por situações semelhantes diariamente, seja em razão de sobrepeso, cor da pele, entre outros fatores. A Atitude Blasé, proposta pelo sociólogo alemão Georg Simmel, explica essa ocorrência, uma vez que todos apenas assistiam àquela cena humilhante, agindo com indiferença ao desconforto de Millie perante a situação.
Ademais, há pressão imposta sobre os jovens, não apenas mulheres. Desde a Grécia Antiga, existiam fortes padrões estéticos impostos, marcantes e exigentes conceitos de beleza. Dentre eles, os de que homens deveriam ter corpos fortes, aptos para se tornarem bons soldados ou atletas, enquanto moças deveriam usar óleos perfumados para manterem odores agradáveis e evitar expor-se ao Sol, uma vez que a pele bronzeada contrariava os conceitos de belo. Ainda hoje, vê-se padrões semelhantes, onde rapazes devem ser fortes, e a pele branca, as medeixas lisas e claras e os olhos claros são os belos.
Portanto, é mister que medidas sejam tomadas para solucionar essa problemática. Para diminuir o bullying e a pressão feita sobre os jovens na atualidade, urge que o Ministério da Educação implemente, com auxílio de empresas privadas estéticas, um programa voltado a conscientização dos jovens. Neste programa, seria proposta a ação de psicólogos por meio de palestras nas escolas a respeito da aceitação, insegurança, ansiedade, e o incentivo à busca por ajuda profissional. A circulação de banners, anúncios e informações sobre o quão ampla a beleza pode ser também podem ser interessantes, além de falar sobre o bullying e a maior participação de modelos “plus size”, pretas e trans. Assim, pode-se evitar situações como as vividas por Willowdean e as colegas.