O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 01/06/2021

Adoração frágil nem sempre é o padrão de beleza. Por exemplo, por volta da década de 1940, Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor eram consideradas ídolos femininos devido às suas curvas distintas e cabelos cacheados. Hoje, os padrões estabelecidos pela mídia e pela própria sociedade são muito diferentes dos da época. Em silicones e bisturis, o impacto contemporâneo e as consequências dessa padronização ainda precisam ser discutidos. O estigma da figura perfeita é aplicado todos os dias. Seja na capa de uma revista ou em um tutorial na internet, homens e mulheres baixinhos imitam o ideal de perfeição. O problema é que, no mundo real, é quase impossível atender a esse padrão, o que leva à frustração de que uma sociedade nunca poderá atingir as condições que lhe são impostas. O sentimento que vai se formando é que fora desses padrões, as pessoas são insalubres, indesejáveis, feias e “impróprias para o consumo”. Além disso, esses padrões não consideram os biótipos. O corpo humano é multidimensional e, esteticamente, ele próprio é multidimensional. Entre tantas formas mistas, é cruel escolher apenas uma que seja legal e digna de ser bonita. Em uma busca irrestrita semelhante a esse padrão, muitas pessoas até arriscam suas vidas para aceitar procedimentos cirúrgicos perigosos e dietas que fazem mal à saúde. Outro ponto que não deve ser esquecido é que vivemos em um mundo capitalista no qual desejos e interesses são gerados em grande número. É mais fácil para a indústria de consumo padronizar os gostos porque isso promove o consumo descontrolado. Hoje, vozes contra esses padrões foram ouvidas. No entanto, a mídia ainda é muito poderosa em termos de representação social e, como poderosa aliada do sistema capitalista, ajuda a perpetuar esses estereótipos. Portanto, é preciso refletir sobre a representação física que nos é imposta todos os dias. O primeiro passo deve ser dado pelo próprio indivíduo, ser mais flexível consigo mesmo e libertar-se dessa beleza limitada. Aceitar-se é um processo evolutivo.