O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/06/2021

“Nossa, como você está gorda”, ou então “Meu Deus, na sua casa não tem comida? Está tão magrinha”. Palavras que certas pessoas, infelizmente, se acostumaram a ouvir, somente por não se encaixar nos padrões de beleza estabelecidos pela sociedade. O padrão vai muito mais além do que o simples corpo da pessoa, ultrapassando questões sociais e até psicológicas, de indivíduos que não tem esse padrão pré-estabelecido, trazendo-lhes problemas e até mesmo doenças. A obsessão por ter um corpo perfeito tem seus riscos e perigos, podendo ter sérias consequências relacionadas à saúde do indivíduo, mas também para as pessoas ao seu redor.

Inicialmente, falando sobre o perigo em relação à obsessão de ter um corpo perfeito, pode ser concluído pela Psicóloga clínica e analista do comportamento, Marina Oliveira, que a linha limite entre a busca pela saúde é ultrapassada e vira uma obsessão, a partir do momento que isso gera prejuízos para o indivíduo e para as pessoas que o cercam. Com isso, pode-se concluir que a obsessão se torna algo perigoso quando se chega ao ponto de o indivíduo não querer mais se alimentar, ou então querer se alimentar exacerbadamente, prejudicando assim, sua vida social, familiar e até mesmo profissional, se recusando a ir em festas, casamentos e bares, justamente por não querer comer e somente por querer buscar o corpo ideal visto em perfis nas redes sociais e revistas de moda.

Em consequência da obsessão, a pessoa faz de tudo para poder ter o corpo ideal e acaba prejudicando sua saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% dos jovens brasileiros sofrem com transtornos alimentares, tanto por origens genéticas, sociais, psicológicas ou até mesmo hereditárias. Com essa informação, percebe-se que a necessidade de ter um corpo perfeito traz problemas na saúde de muitas pessoas, gerando depressão, problemas psicológicos, transtornos alimentares, como apresentado anteriormente, e até mesmo à morte, pois a falta de nutrição leva à fraqueza no ritmo cardíaco, ocasionando problemas cardiovasculares, podendo levar o indivíduo a óbito. Dessa forma, essa situação prejudica a saúde, a vida social, familiar e profissional do indivíduo, levando-o a odiar seu corpo e seu jeito, por não se encaixar nos padrões estabelecidos pela sociedade.

Mediante a isso, medidas são necessárias para amenizar a problemática. O Ministério da Saúde do Brasil poderia organizar uma campanha, com o intuito de conscientizar certas pessoas de que não existe um padrão estabelecido pela sociedade, e que não importa qual a cor, peso, altura ou gênero o indivíduo seja, ele tem a sua beleza e deve ser devidamente respeitado em qualquer lugar. A campanha poderia passar em canais abertos de TV e até mesmo nas próprias redes sociais. Assim, a sociedade poderia ter uma percepção diferente de beleza e entender que todas são belas de jeitos diferentes.