O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/06/2021

A palavra “padrão” é definida como qualquer objeto que sirva como base para a construção de outros. Esse conceito é demasiadamente posto em prática pela sociedade brasileira, que toma os corpos de diversos famosos como exemplos para o corpo perfeito imposto em sua mentalidade. Essa imposição social é o principal motivo para a pressão estética exercida sobre uma parcela significativa da população, cujo sofrimento — que ocorre em razão da dificuldade de alcançar tais normas físicas — pode desencadear transtornos psicológicos relativos à alimentação.

Em primeiro lugar, pode-se levar em consideração o filme “Sierra Burgess é uma Loser (perdedora)”, em que a mãe de Veronica a cria para ser magra e bonita a fim de que a menina agrade aos homens e seja considerada superior às outras. A mesma situação se repete por todo o Brasil, onde as famílias tradicionais constroem a imagem ideal e a cobram de suas crianças. Essa idealização é erroneamente apresentada pela mídia, cujos modelos, atores, cantores e outros trabalhadores da imprensa abusam de cirurgias plásticas, dietas contraindicadas por especialistas e photoshop.

Em consequência dos fatores já citados, os distúrbios alimentares estão presentes em cerca de 10% dos jovens, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O problema supradito provoca mau desempenho em atividades cotidianas, na escola e/ou no trabalho, além de irritabilidade e alterações hormonais, o que contribui para o aumento nos índices de desemprego e para a mão de obra de baixa qualidade. Assim, a qualidade e a expectativa de vida da população passam a ser seriamente prejudicadas.

Em suma, a estética corporal é uma questão exageradamente importante para o meio social. Dessa forma, cabe ao MEC e aos Conselhos Tutelares de cada região definirem nas escolas — principalmente para os ensinos infantil e fundamental — palestras sobre autoestima direcionadas aos alunos e suas famílias, a fim de alertar os pais sobre seus comportamentos exigentes em relação à beleza. Logo, crescerão se importando mais com a própria saúde do que com protótipos inalcançáveis.