O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 05/06/2021
‘‘A aparência não é nada. Conheço bonitos tristes e feios felizes’’. A citação de Danilo Felix, se encaixa perfeitamente no parâmetro vivido pela população brasileira no século XXI. Por conseguinte, a busca pela aceitação da mídia, leva milhares de pessoas a realizarem procedimentos extremos e severos, para que por fim, possam se encaixar em um padrão compulsório da atualidade. O cidadão brasileiro se encontra, alucinado, envaidecido e obecado com o corpo perfeito.
Em virtude disso, os primeiros casos de bullying começam a surgir, quem não segue o protótipo prescrito, sofre com olhares e comentários perversos. Como resultado, à procura de enaltecimento para si mesmo, passa a se tornar doentia, como relata uma pesquisa efetivada pela OMS, onde os dados apontam que cerca de 4,7% dos brasileiros sofre de distúrbios alimentares, no entanto, na adolescência, esse índice chega até a 10%. Indubitavelmente, é importante que a prática de uma vida saudável seja defendida, no entanto, os valores foram revertidos, a saúde deixou de ser a única preocupação, e agora, o corpo exageradamente magro e perfeito passou a ser adorado. Essa conjuntura deve ser mudada de forma urgente.
No entanto, para que a mudança seja feita, é necessário reconhecer os principais culpados em relação ao aumento de transtornos alimentares. Segundo a psicóloga Valeska Bassan, a rede social desencadeia muitos gatilhos para ocorrerem os distúrbios, os influenciadores digitais, aclamados nessa nova era, valorizam a magreza e um corpo perfeito. “Não existe uma causa específica para os transtornos, é uma combinação de fatores que variam caso a caso e afeta outros aspectos da vida do paciente”, afirma a psicóloga. Efetivamente, o acompanhamento dos pais é deveras importante, para auxiliar e proteger o seu filho de uma auto-condenação para a sua aparência. Em suma, é fundamental que o Governo e o Ministério da Saúde, tomem medidas cabíveis para abolir de maneira definitiva o estereótipo transmitido por meio da imprensa. Desse modo; comerciais, reportagens e revistas, não devem acarretar um padrão de beleza, dando liberdade de aparência para todos. Cabe também ao Ministério da Saúde, que reconheça a necessidade de uma vida saudável para todos, sem modelos a ser seguidos ou um padrão condenador. ‘‘O corpo perfeito não existe. O que existe é a busca por ele.’’ - MauCostaReal.