O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 03/06/2021

De acordo com o filósofo espanhol José Ortega y Gasset, “o prazer estético deve ser um prazer inteligente”. Entretanto, na atualidade muitas pessoas realizam cirurgias estéticas ou submetem-se a treinos exaustivos apenas para caber no padrão imposto pela sociedade. Outrossim, a execução de procedimentos plásticos sem requerimento necessário ocasionam diversas complicações de saúde. Nesse sentido, convém destacar os perigos relacionados à padronização corporal, tais como transtornos psicológicos e contratempos na saúde daquele que busca um corpo perfeito. Em vista disso, urge a necessidade de debater o assunto.

A priori, ressalta-se os transtornos mentais gerados pela busca insaciável de um corpo perfeito. De maneira análoga, diversos indivíduos desenvolvem uma distorção na imagem corporal, o que resulta em anorexia, bulimia e até em depressão por não atingir o padrão de beleza planejado. Explica tal fato os dados fornecidos pela Organização Mundial da Saúde - OMS mostrando que cerca de 4,7% dos brasileiros sofre de distúrbios alimentares, no entanto, na adolescência, esse índice chega até a 10%. Logo, tal circunstância torna-se evidente e problemática.

A posteriori, ressalta-se a obsessão por procedimentos estéticos que resulta em cirurgias plásticas frequentes. Sem estar satisfeito com o corpo, o índividuo apela por processos operatórios, invés da busca por um padrão alimentar saudável ou prática de exercícios. Como desdobramento, operações cirúrgicas são invasivas, nem sempre um corpo se adapta bem a mudanças, ocasionando infecções, rompimento de pontos, problemas em órgãos do corpo o que resulta em limitações e até óbito. A saber, na pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o Brasil é líder mundial no ranking de cirurgias plásticas em jovens. Assim, torna-se nítido a importância de debater o assunto.

Mediante ao conteúdo, são válidas atitudes a fim de romper o padrão estético corporal na sociedade brasileira. Cabe ao Departamento de Imprensa e Propaganda, em parceria com escolas, realizar palestras e atividades práticas sobre autoaceitação e a valorização das diferenças corporais de cada um, preparando crianças e adolescentes para sentirem-se bem com suas características. Cabe ainda, ao Departamento de Imprensa e Propaganda, juntamente com digitais influencers, realizarem mídias sociais que mostrem a realidade de um corpo sem filtro e que aludam a problemática por trás de cirurgias plásticas e dietas massivas, mostrando a sociedade que toda escolha tem consequência e a importância de preservar nosso corpo. Logo, será possível alcançar uma sociedade mais consciente.